Opinião: O primeiro teste da “Pátria de Chuteiras”

Copa das Confederações, evento preparatório para a Copa do Mundo de 2014, começa neste fim de semana; neste primeiro texto comento minhas impressões sobre a organização, compra de ingresso e atendimento Vou falar hoje da Copa das Confederações da Fifa, evento preparatório para a Copa do Mundo do ano que vem e que começa neste fim de semana, dia 15/06, às 16 h, com o jogo de abertura no Estádio Nacional de Brasília, o Mané Garrincha.

Atualizado em 14/06/2013 às 11:06, por Anderson Gurgel.

A partida entre a seleção brasileira e a japonesa será precedida pela cerimônia de abertura, organizada pelo carnavalesco Paulo Barros.

O estádio, como já vem sendo mostrado nos meios de comunicação, ficou belíssimo e tem tudo para ser uma das estrelas do evento. Sobre a cerimônia preliminar, organizada pelo Paulo Barros, também dá para ficar otimista, esperando algo bonito e que nos mostre bem para a audiência global que acompanhará o jogo. Já sobre a seleção, cabe torcer para que o time continue evoluindo e que o Neymar consiga finalmente jogar seu melhor futebol.

Contudo, o que pretendo enfatizar nesse texto não é o jogo do time nacional, mas sim a proposta de termos um evento preparatório para o megaevento que virá no próximo ano, que é a Copa do Mundo. Para sentir de perto a experiência de participar de um “evento Fifa”, decidi adquirir ingressos para uma partida da Copa das Confederações.

Calhou de o jogo mais conveniente para mim ser Espanha versus Taiti, que vai acontecer no dia 20 de junho, no Maracanã. Não poderia ser melhor, né? Quem não gostaria de ver um jogo da seleção campeã do mundo? O primeiro momento que vale relatar é o da compra do ingresso. Propositalmente deixei para comprar no último dia de venda da fase anterior (está acontecendo agora às vésperas do evento, uma última venda, com ingressos remanescentes).

O site da Fifa é um pouco confuso e, sobre o pretexto de segurança na venda dos ingressos, bastante burocrático. Ainda que tenha a venda em português, dá um belo trabalho fazer a inscrição e comprar o ingresso. Para comprar dois ingressos foi quase uma hora de “procedimentos”.

Ao comprar os ingressos, só dá para decidir a categoria, organizada por preços. No modelo Fifa para este evento, não dá para decidir onde você quer sentar no estádio. Há riscos até, em certos casos, de você não conseguir sentar junto com seus acompanhantes. Nem preciso dizer que isso é um absurdo. É praticamente uma compra no escuro. Optei por pagar os ingressos em boleto bancário. Essa parte foi interessante, pois pude entender um pouco mais da relação da Fifa com seus parceiros. Um dia depois da compra, chegou uma mensagem com um link para o site do banco Itaú, parceiro e patrocinador da entidade. Fiz o pagamento normalmente. E guardei o comprovante, pois ele é necessário para retirar os ingressos.

A parte mais estressante, na verdade, está sendo a retirada dos ingressos. Acho engraçado a Fifa mostrar-se desconfortável com o comportamento dos brasileiros, segundo os porta-vozes da entidade, de deixar para retirar os ingressos tão próximo ao evento. Uma entrevista curiosa sobre o assunto foi dada pelo Jerome Valcke, secretário da entidade, ao portal Uol - veja .

Vejam um trecho da reportagem do Uol. “Mas Valcke não vê falhas só da Fifa. Reclama do fato de boa parte dos brasileiros, mais de 200 mil até quarta-feira (12/06/13), ter comprado ingressos da Copa das Confederações e ainda não ter recolhido os bilhetes. E teme problemas de segurança ou um ‘desastre"’ se houver muitos lugares vazios nos jogos do final de semana pela competição.”

Em minha opinião, é um absurdo e total falta de noção sobre a realidade brasileira o que a Fifa adotou para a versão brasileira da Copa das Confederações. Moro em São Paulo e me programei para ver um jogo do evento no Rio de Janeiro. Só descobri que não haveria posto de retirada de ingresso na capital paulistana, depois da compra do ingresso. Por isso, obviamente só poderei retirar os ingressos ao chegar à capital carioca para ver o evento. Não é viável para mim deslocar-me quase quatrocentos quilômetros somente para retirar os ingressos.

Acho que a Fifa esqueceu das dimensões territoriais brasileiras! E vejam que a propaganda do Governo Federal fala de estímulo aos turistas nacionais de fazer turismo durante a Copa das Confederações (veja vídeo) – até porque um evento como esse, para ser um teste interno, não teria como foco o público estrangeiro, mas sim os locais, minimizando riscos. Sendo assim, as pessoas de outras localidades só poderão retirar os ingressos próximo dos dias dos jogos. Acho que faltou planejamento nesse item.

No próximo texto, contarei como foi a minha experiência de retirada de ingresso, acolhida no estádio e demais impressões sobre o evento. Torço para que o Brasil faça bonito dentro e fora de campo neste evento. Não falta muito agora para acompanharmos esse momento especial do esporte no nosso país.



Assista ao vídeo: