Opinião: O Museu da Corrupção é como o Impostômetro, ambos ferramentas de conscientização
O Museu da Corrupção vai completar três anos em 22 de abril, dia do Descobrimento do Brasil. Em seu oitavo mês de vida, ele conquistou o “Pr
Atualizado em 10/01/2012 às 12:01, por
Moisés Rabinovici.
Imprensa Exposta
Leo Garbinêmio Esso de Contribuição à Imprensa de 2009” – um reconhecimento não compartilhado pelos jornais e pelas revistas nacionais. A não ser por uma nota no caderno de informática de O Globo, outra na Folha, nada, nenhuma linha, nem mesmo um registro de nascimento, ou menção* quando foi premiado.
Mas o Museu da Corrupção (MuCo) bateu o primeiro milhão de acessos rapidamente (hoje entre 600 e 800 mil mensais), foi notícia na Espanha, hospeda uma ONG francesa de combate à corrupção, exibiu-se para o Mercosul no Paraguai, e agora está oferecendo anexos a jornais estaduais, dando-lhes total independência e endereço próprio, em troca de um acervo de escândalos locais. O MuCo é como o “Impostômetro”, ambos da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). São ferramentas de conscientização, educativas, sem viés militante ou partidário.
O problema do MuCo em aparecer na imprensa, ao contrário do “Impostômetro”, é que em sua origem há um jornal, o Diário do Comércio, ainda que ele não vá para as bancas e só circule entre os associados da ACSP. Hoje, os principais jornais já se citam uns aos outros, na suíte dos furos da concorrência. Mas a TV Globo, quando o Centro XI de Agosto expôs o MuCo, limitouse a pôr no ar o sucesso da pizza Sarney, o bigodão de anchovas, para não cometer o sacrilégio de citar um jornal não pertencente à própria rede. Ideia sem autor, pizza sem pizzaiolo.
O MuCo sofre com o anonimato na mídia por essa incrível pusilanimidade. Os mesmos jornais que clamam contra a impunidade em seus editoriais se negam a fortalecer uma poderosa arma para combatê-la. Será apenas cegueira? Nenhum deles, nem as revistas nem as tevês, deu sequer uma notinha quando o juiz federal Odilon de Oliveira recebeu da ONU o prêmio destaque de 2011 no combate à corrupção.
Era o Dia Internacional de Combate à Corrupção, 9/12/2011, em Brasília, a capital nacional da corrupção. E o juiz Odilon de Oliveira subiu ao palco escoltado por dois policiais de armas à mostra, grato pelo reconhecimento que o estimulará a continuar, com a cabeça a prêmio, na mesma vida sem liberdade a que condenou mais de cem corruptos e traficantes no MS. Que pauta ótima, mais ainda quando um oitavo ministro do governo Dilma estava para cair… Mas só o Diário do Comércio foi lá cobrir.
Este blogue de papel que passo a escrever mensalmente não será usado em causa própria. Não o foi aqui, porque a missão do MuCo é se tornar independente, a soma de todos que o compõem. E está a caminho. O anonimato do juiz Odilon de Oliveira e do museu nacional dos escândalos revelam o paradoxo de uma imprensa corajosa para derrubar ministros, mas tímida para valorizar e incentivar o antídoto que prescreve: a punibilidade.
*Um jornal publicou a lista do Esso cortando o MuCo
Coluna publicada na edição de jan/fev (275) da Revista IMPRENSA
é jornalista e diretor do Diário do Comércio – rabino@acsp.com.br.






