Opinião: O jornal impresso sofre uma limitação imposta por designers de fontes

Estou furando a mim mesmo. E duplamente, como logo se verá. Esta notícia é um segredo industrial que só será revelado em alguns dias. Escrev

Atualizado em 29/04/2012 às 16:04, por Moisés Rabinovici.

Furo, Furos! Parem as máquinas

Crédito:Leo Garbin
o-a com antecedência, confiando na discrição do meu editor Sinval de Itacarambi.
Quando esta IMPRENSA circular, em abril, muitos de seus leitores provavelmente já saberão que, desde 20 de março, o primeiro jornal do mundo a ser impresso com Ecofont, uma fonte toda furadinha criada na Holanda, é do Brasiiiilll: o Diário do Comércio, onde trabalho. E aqui o segundo furo, na verdade incontáveis furos diários.
Eta nós! A Ecofont era usada, até agora, para economizar os caríssimos cartuchos e toner das impressoras, dando-lhes mais 25% a 50% de sobrevida. O usuário único pode testar em sua própria máquina, baixando o software em www.ecofont.com.
Foi o que fiz me perguntando: se serve para impressoras, não servirá para rotativas? Mandei um e-mail para o holandês Rick van den Bos, um dos três criadores da Ecofont. E tanto conversamos, por mais de seis meses, que acabamos amigos. Até então ele não tinha pensado em jornais, mas topou testar. Orientou-me nos primeiros passos e cedeu uma versão do software.
Primeiro, ensaiamos com um pequeno boxe apenas, cautelosos: se saísse um espaço branco, não seria uma tragédia. Deu certo! Aí ousamos um artigo. Saiu! Por fim, várias páginas inteiras rodaram na gráfica do Estadão sem que gráficos e leitores percebessem alguma diferença. Só mesmo com uma lente para ver as letras todas esburacadas.
A Ecofont é uma invenção daquelas que nos espantam e encantam pela simplicidade: economiza tinta porque, claro, a usa muito menos, graças aos furinhos redondos. Ela foi duplamente premiada com o “European Environmental Design Award” e o “Accenture Innovation Award”, entre 1.250 inovadores, em 2011. Hoje já está em 36 países e negociando uma representação no Brasil.
O Diário do Comércio vai abrir um novo mercado para a Ecofont se comprovada sua economia nas rotativas, calculada em 30% por Rick van den Bos. Para impressoras, as fontes disponíveis são as mais usadas: Arial, Calibri, Verdana, Trebuchet e Times New Roman. O jornal impresso, porém, sofre uma limitação imposta por designers de fontes: para furar tem que ter o copyright.
Por isso, a Ecofont criou especialmente para o DC a Ecofont Sans, bastante parecida com a Arial. Num e-mail, Rick contou: “Estamos muito orgulhosos com o resultado. É a melhor fonte que conseguimos para produzir uma leitura fácil com poupança de tinta”. E aproveito a última linha para um comercial: vá ver esta experiência pioneira no DC.
Coluna publicada na edição de abril (277) da Revista IMPRENSA