Opinião: “O desafio de educar para inovar”, por Laura Maria Gluer
Um dos grandes desafios de quem ensina em cursos na área da comunicação, nos dias de hoje, é educar para inovar. A maioria das novas ativida
des que serão desenvolvidas nas próximas décadas, não deverão passar pelas carreiras tradicionais, mas pela criatividade e inovação.
Visão sistêmica da comunicação e suas interfaces com outras áreas do conhecimento, capacidade de antever as tendências de consumo de conteúdos em diferentes mídias, novas formas de relacionamento com fontes, anunciantes e a interconexão com os públicos. Estes são alguns conteúdos que devem perpassar qualquer disciplina de um curso de graduação ou pós-graduação na área da comunicação hoje.
Para isso acontecer na prática, é preciso mudar não somente as ementas, conteúdos programáticos e objetivos dos projetos pedagógicos. Será preciso mudar, principalmente, a mentalidade e a forma de conduzir as aulas. O próprio professor-educador precisará se reinventar, para tornar-se cada vez mais um mentor-desafiador, capaz de provocar insights e estimular os estudantes na busca de novos espaços.
Sou professora de uma das disciplinas que precisará ser reinventada: a boa e tão polêmica assessoria de imprensa. Quando comecei a lecionar este tema há mais de 15 anos, vivíamos uma realidade bem circunscrita do relacionamento fonte-imprensa. Os veículos, ainda em uma transição do analógico para o digital, dependiam e alimentavam-se das sugestões de pauta, releases, press kits e coletivas das assessorias. O cidadão ainda não havia se tornado, ele também, um produtor de conteúdos na rede.
Hoje, o cenário é outro e isso impacta decisivamente na atividade de assessoria. O cidadão tem outras fontes de informação, além de produzir e compartilhar seus próprios conteúdos. As fontes organizacionais tornaram-se produtoras de conteúdos relevantes e não necessitam mais tanto da mediação dos veículos. Estes, por sua vez, buscam cruzamento de dados por outras vias, em resposta a uma audiência cada vez mais exigente.
Este novo ambiente transforma a atividade de assessoria, mas não tira seu papel estratégico. Como digo em meu livro, assessoria nunca será acessório, mas será preciso reposicioná-la, assim como uma série de outras atividades tradicionais da comunicação.
Não podemos ser “viúvos e viúvas” de uma comunicação que não volta mais. Precisamos de flexibilidade e resiliência para encarar as novas possibilidades do campo da comunicação, desafiando as novas gerações de jornalistas, publicitários e relações públicas.
Laura Maria Gluer : Jornalista, especialista em Comunicação Organizacional, mestre e doutora em Comunicação. Assessora de Comunicação e Consultora em Crises de Imagem há mais de 20 anos, autora do livro Assessoria não é Acessório. Docente universitária, empresária, consultora no programa Academia do Discurso e diretora de Assuntos Universitários na Associação Riograndense de Imprensa-ARI/RS. Influenciadora digital e idealizadora do programa Café Espresso para uma Comunicação Expressa. Ministra cursos e treinamentos livres e in company na área de Comunicação, Crises de Imagem e Gestão do Tempo há mais de 15 anos.






