Opinião: Neste país o provisório é permanente e aí está o Brasil tomado por jornalistas provisórios
A igreja Católica sabiamente contentou os humanos, criou patamares: céu (para os bem-aventurados, os sem-pecados); purgatório (para os arrependidos).
Atualizado em 08/09/2011 às 16:09, por
Adísia Sá.
igreja Católica sabiamente contentou os humanos, criou patamares: céu (para os bem-aventurados, os sem-pecados); purgatório (para os arrependidos). Lá no "além, muito além", ficam os pecadores, os prevaricadores, os assassinos e outros, muitos e muitos outros. No meio, o canto dos que ainda devem purgar por séculos e séculos até a expiação de suas faltas, vulgo purgatório. Mas há outro patamar: o limbo, o indeterminado, o indefinido.
Nós, os jornalistas brasileiros, atravessamos todas essas esferas ou cones. Sugiro, para maior enriquecimento cultural dos leitores, uma releitura da "Divina Comédia", para "visualização" do que estou falando. Vivemos muitos anos no inferno astral: éramos da atividade, ocupávamos funções, trabalhávamos como mouros e não éramos nada. Oficialmente Oficialmente, nada. Documentalmente, nada. Mas não éramos frouxos, passivos, conformados: pelo contrário. Éramos, somos e seremos sempre - rebeldes, inconformados. E fomos à luta. Seguimos ao pé da letra a decisão do 1º Congresso de Jornalistas, nos idos de 1908 - um século depois da primeira prensa oficial -, "pugnar pela criação de escola de jornalismo". Cria... "descria"... decreta... "desdecreta" e assim fomos levando o projeto sonhado por Gustavo de Lacerda - cujo nome verdadeiro era Gustavo Adolfo Fraga - e seus companheiros: a criação de uma "escola de jornalismo" e por extensão a regulamentação profissional. O momento culminante veio com o Decreto Lei nº 972/69. Mas como "tudo que é sólido se desfaz", o 972 e os criados ao longo dos anos caíram por terra. E ficamos, mais uma vez, desabrigados.
Em compensação fizeram uma cobertura - ampla e irrestrita, absoluta e generosa - abrigando Deus e o mundo... mais o mundo do que Deus. E houve a correria em busca do título de "registro provisório". Sucede que neste país o provisório é permanente e aí está o Brasil tomado por "jornalistas" provisórios... Precários? Temporários?
Como jornalista não é só de escrever, a categoria bateu palmas no Congresso e ali encontrou... promessas. Promessas que vêm se arrastando, se arrastando: "demora, mas sai a definitiva regulamentação". A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) acionou os sindicatos, os seus filiados e cá estamos aguardando as leis, diretrizes e bases do exercício profissional. Enquanto isso convivemos com os "precários"... os "provisórios".
Paz e amor, gente...
Nós, os jornalistas brasileiros, atravessamos todas essas esferas ou cones. Sugiro, para maior enriquecimento cultural dos leitores, uma releitura da "Divina Comédia", para "visualização" do que estou falando. Vivemos muitos anos no inferno astral: éramos da atividade, ocupávamos funções, trabalhávamos como mouros e não éramos nada. Oficialmente Oficialmente, nada. Documentalmente, nada. Mas não éramos frouxos, passivos, conformados: pelo contrário. Éramos, somos e seremos sempre - rebeldes, inconformados. E fomos à luta. Seguimos ao pé da letra a decisão do 1º Congresso de Jornalistas, nos idos de 1908 - um século depois da primeira prensa oficial -, "pugnar pela criação de escola de jornalismo". Cria... "descria"... decreta... "desdecreta" e assim fomos levando o projeto sonhado por Gustavo de Lacerda - cujo nome verdadeiro era Gustavo Adolfo Fraga - e seus companheiros: a criação de uma "escola de jornalismo" e por extensão a regulamentação profissional. O momento culminante veio com o Decreto Lei nº 972/69. Mas como "tudo que é sólido se desfaz", o 972 e os criados ao longo dos anos caíram por terra. E ficamos, mais uma vez, desabrigados.
Em compensação fizeram uma cobertura - ampla e irrestrita, absoluta e generosa - abrigando Deus e o mundo... mais o mundo do que Deus. E houve a correria em busca do título de "registro provisório". Sucede que neste país o provisório é permanente e aí está o Brasil tomado por "jornalistas" provisórios... Precários? Temporários?
Como jornalista não é só de escrever, a categoria bateu palmas no Congresso e ali encontrou... promessas. Promessas que vêm se arrastando, se arrastando: "demora, mas sai a definitiva regulamentação". A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) acionou os sindicatos, os seus filiados e cá estamos aguardando as leis, diretrizes e bases do exercício profissional. Enquanto isso convivemos com os "precários"... os "provisórios".
Paz e amor, gente...






