Opinião: "Não se faz economia na sala de aula", por Laura Maria Gluer

Como formar comunicadores competentes sem excelentes professores? Esta é uma pergunta que precisa ser feita no cenário atual do ensino da Co

Atualizado em 19/07/2017 às 11:07, por Laura Maria Gluer.

Crédito:Divulgação municação.

Muitas instituições de ensino, sobretudo as privadas, têm dispensado seus docentes mestres e doutores nos últimos meses, por conta do discurso da crise, inadimplência e evasão de alunos, etc. Esse é um cenário que assola muitas áreas do conhecimento e a Comunicação está neste contexto.


Profissionais com experiência acadêmica e renome profissional estão sendo convidados a deixar as salas de aula. Entre eles estão docentes que contribuíram para obter bons conceitos de seus cursos nas avaliações do MEC, mas que tornaram-se caros, em uma perspectiva mercantilista. Só na última semana soube de três casos em um tradicional curso da região sul. E as demissões espalham-se pelo Brasil, infelizmente.


O que essas instituições de ensino não sabem é que a “economia” na sala de aula não é nada inteligente, pois muitos destes professores carregam consigo o patrimônio intelectual de seus cursos de origem, estiveram na concepção de muitos projetos pedagógicos e são responsáveis pela importante e fundamental interface dos alunos com o mercado. São profissionais com uma bagagem construída ao longo de anos de uma vida acadêmica (com todo respeito aos jovens e mais inexperientes docentes, que também merecem oportunidade no ensino, pesquisa e extensão).


Vejo muitas instituições achando que o diferencial de um curso de Comunicação são laboratórios com tecnologia de ponta. Sem dúvida, isso é importante. Mas não é tão fundamental quanto o professor de excelência em sala de aula. Tecnologia, quando defasada no ambiente acadêmico, o mercado se encarrega de recuperar. Basta o profissional querer correr atrás e aprender. Já os conteúdos fundamentais da Comunicação, a ética profissional, a visão das transformações nas diferentes áreas de atuação - são difíceis de recuperar depois.


É fácil criticar o jornalismo atual, questionar as estratégias da propaganda e os limites das relações públicas no contexto em que vivemos. Mas é preciso questionar, sobretudo, como os profissionais de Comunicação estão sendo preparados nos dias de hoje e quem são suas referências de ética e exercício profissional.


Muitas empresas de diferentes setores da economia já começam a se dar conta de que os profissionais mais experientes fazem falta em seus quadros. Os cursos de Comunicação precisem ir nesta mesma direção em relação ao seu corpo docente. Essa é uma estratégia para construir e manter boa reputação, afinal a atuação de um profissional no mercado - com o carimbo de uma instituição em seu diploma - é o indicador mais consistente de qualidade de um curso.


: Jornalista, especialista em Comunicação Organizacional, mestre e doutora em Comunicação. Assessora de Comunicação e Consultora em Crises de Imagem há mais de 20 anos, autora do livro Assessoria não é Acessório. Docente universitária, empresária, consultora no programa Academia do Discurso e diretora de Assuntos Universitários na Associação Riograndense de Imprensa-ARI/RS. Influenciadora digital e idealizadora do programa Café Espresso para uma Comunicação Expressa. Ministra cursos e treinamentos livres e in company na área de Comunicação, Crises de Imagem e Gestão do Tempo há mais de 15 anos.