Opinião: José Marques de Melo comenta trabalho do Ipea sobre comunicação no Brasil
Desde o ano passado, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência
Atualizado em 22/05/2012 às 16:05, por
José Marques de Melo.
Indústrias criativas
Crédito:Leo Garbin da República, vem publicando a série “Panorama da Comunicação e das Telecomunicações no Brasil”. Obra enciclopédica, esse anuário descreveu em 2011 as tendências da comunicação e das teles no primeiro decênio do século XXI. A edição de 2012, lançada publicamente em março, na cidade de São Paulo, focaliza o primeiro ano do novo decênio, embora alguns capítulos façam análises retroativas ou prospectivas sobre as indústrias midiáticas.Capitaneada pelo economista Marcio Pochmann, presidente do Ipea, mas pilotada pelo seu assessor-chefe de comunicação, Daniel Castro, a singularidade dessa iniciativa reside na parceria entre o Estado e a sociedade civil, o que lhe retira qualquer conotação de “chapa branca”. Os capítulos foram escritos por jovens pesquisadores do campo comunicacional, convidados pela rede de sociedades científicas que integram a Federação das Associações Acadêmicas da Comunicação (Socicom). Isso agrega valor ao projeto editorial, atribuindo credibilidade ao seu conteúdo. Explica-se assim porque o PCTB vem assumindo lugar de destaque no cotidiano da pesquisa em comunicação no Brasil, na medida em que se torna fonte de consulta necessária a universitários, profissionais e empresários.
Chamo a atenção particularmente para o “Tomo 3” desse anuário do consórcio Ipea/Socicom, dedicado à memória das ciências da comunicação em nosso país. Realizada sob a liderança firme e competente daAssociação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Alcar), a pesquisa abrange todas as regiões do arquipélago brasileiro, cobrindo as distintas dimensões historiográficas do espaço comunicacional. Trata-se de uma plataforma que certamente vai repercutir e gerar desdobramentos no âmbito da nossa produção intelectual.
As tendências esboçadas pelos colaboradores desse ousado anuário sinalizam a expansão das indústrias midiáticas em nosso país, denotada pelo crescimento das inversões publicitárias. Na verdade, o fenômeno traduz o dinamismo da economia brasileira como resultado da política de redistribuição de renda propiciada pela estabilidade financeira da era FHC, ampliando o mercado interno. Isso lastreou o encolhimento dos bolsões de pobreza, marca registrada dos governos Lula e Dilma, garantindo a inclusão no mercado consumidor de contingentes antes penalizados pela indigência econômica e pela marginalidade social.
Beneficiados pela ascensão à aldeia global, os novos cidadãos demandam mercadorias ausentes das gôndolas midiáticas. Trata-se de um desafio crucial à criatividade das empresas públicas e privadas que operam no ramo da cultura, da informação e do entretenimento.
Coluna publicada na edição de maio (278) da Revista IMPRENSA






