Opinião: Jornalismo Esportivo e a Mídia Ninja
Caro leitor, é ótimo retornar a essa coluna, após algumas semanas de ausência, motivas por férias e compromissos pessoais. Empolgado com ess
Atualizado em 08/08/2013 às 12:08, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crise do modelo tradicional de produção jornalística também atinge a cobertura do esporte. A questão que fica é o que podemos aprender com os novos formatos para reencontrar o canal de contato com o público dessa área.
a retomada, tanto que me ocorreram inúmeros temas para este texto de volta ao nosso diálogo. Os desdobramentos da Copa das Confederações e os protestos feitos contra a gestão dos megaeventos no Brasil poderia ser um deles. Outro assunto poderia ser a marca de três anos para Rio 2016 e como andam os preparativos para esse momento.A chegada Neymar ao Barcelona e os fracassos de São Paulo FC e Santos FC nas suas excursões internacionais seriam excelente tema, para falar de marcas e estratégias de marketing, em maus momentos. A conquista importantíssima da Libertadores de América pelo o Atlético Mineiro ou, ainda, a campanha animadora da natação no Mundial de Barcelona também poderiam render outras ideias sobre legado, sobre retorno de investimentos e até gestão de marca em momentos positivos. E isso sem falar de outros tantos assuntos.
Contudo, na empolgação da volta, tentei buscar um tema que fosse transversal a todos os itens apontados acima e que permitisse retomarmos esse diálogo com muitas possibilidades de aprofundar, nos próximos textos, em detalhes dos assuntos já citados ou outros que não foram. Por isso, decidi trazer para esse espaço a discussão sobre a crise do jornalismo, a crise da cobertura jornalística do esporte e até da representativa dos meios tradicionais perante aos seus públicos.
Sim, ao meu ver, há uma crise de cobertura do esporte dentro da crise maior que é a do paradigma jornalístico em que vivíamos e que parece estar rapidamente metamorfoseando-se. Um fato me fez decidir por esse tema: a já antológica entrevista dada pelos fundadores do Mídia Ninja ao Programa Roda Vida, da TV Cultura, no dia 05 de julho, onde ficou muito claro que os meios de comunicação que formam a grande imprensa ou “mídia tradicional” estão com muita dificuldade para entender o que estamos passando.
Nesse programa de TV, chamou-me a atenção a questão do momento de crise paradigmática em que está o jornalismo hoje. “O que é notícia?”, “Quem é o público-alvo?”, “Como lidar com os intersses econômicos e políticos envolvidos nos fatos?” e, ainda, “Como ser relevante e economicamente viável em uma sociedade que vai criando novas formas de fazer circular as informações” foram assuntos explícita ou implicitamente colocados. Os veteranos perguntavam, mas não entenderam as respostas dos jovens empreendedores do Mídia Ninja.
No Roda Viva, ficou claro para mim que o jornalismo tradicional está perdido. E, se está perdido no contexto macroestrutural, não há como não estar um pouco perdido também no micro que, no nosso caso, é a cobertura do jornalismo esportivo e dos megaeventos do esporte que estão ocorrendo no país. Já venho há algum tempo comentando sobre os desafios e as oportunidades para profissionais de comunicação com a realização da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016.
O placar não está favorável para o que vem sendo feito pelos veículos jornalísticos. O esporte ganhou uma dimensão nacional totalmente inédita, mas o jornalismo ainda tem problemas no trato com esse novo contexto. O modelo atual é praticamente um “Fla-Flu”: tem os que defendem tudo e os criticam tudo, no que se refere aos megaeventos. O resultado final é que a população, que deveria ser informada para ter postura cidadã, fica confusa e sem saber o que fazer. E, quando explodem protestos, como os vistos durante a Copa das Confederações, parecem que surgem do nada.
No caso de um Mundial de Natação, como o que aconteceu recentemente, ele surge na mídia do nada, como se não tivesse passado ou não fosse gerar algum futuro. É coberto pelo que é, sem o entendimento do processo que envolve a chegada daquele momento. Outro breve exemplo é o caso das excursões dos times brasileiros ao exterior: alguém faz prognósticos dos riscos envolvidos? Por tudo isso, é que o trabalho feito no jornalismo esportivo tradicional perde força ante ao seu público, veículos fecham ou vão muito mal das pernas. Ou cedem ao entretenimento barato para sobreviver.
A pergunta que fica no ar é: o que o jornalismo esportivo pode aprender com a Mídia Ninja? Como se reencontrar com o público, fortalecer a relevância sem necessariamente fazer entretenimento? Não são respostas fáceis e nem vou dizer que as tenho, mas acho que temos bons eixos para aprofundar tudo isso nos próximos encontros. Até lá!





