Opinião: “Jornalismo e humor na hora do almoço, com Jogo Aberto”, por Wagner de Alcântara Aragão
Averiguar como a televisão aborda o futebol – que discursos enuncia, que narrativas engendra - é buscar entender como a sociedade reverbera
Atualizado em 22/10/2019 às 15:10, por
Wagner de Alcântara Aragão.
Entre as três atrações de maior audiência da Band, e também entre as primeiras da televisão aberta em seu horário de exibição, o programa Jogo Aberto, no ar desde 2007, vem mesclando na medida jornalismo com entretenimento – mais precisamente, com humor.
Acabo de terminar um artigo, cuja preliminar foi apresentada mês passado no seminário “Cinema em Perspectiva”, promovido pela Universidade Estadual do Paraná (Unespar) em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), no qual, baseando-se nas teorias de linguagem dos estudos do Círculo de Bakhtin, algumas narrativas audiovisuais do programa foram analisadas.
E a reação dos presentes na sessão de apresentação ratifica o sucesso de Jogo Aberto registrado em indicadores como o Ibope ou os trend topics do Twitter. Uma parte da plateia conhecia o programa – alguns estavam lá justamente interessados pelo tema do trabalho, intitulado “Futebol na hora do almoço: narrativas audiovisuais do Jogo Aberto”. Outra, não, mas se revelou instigada em experimentar, diante dos exemplos trazidos.
Crédito:Reprodução / Band Reprodução de frame de momento de humor do programa Jogo Aberto
Não só pela mistura entre jornalismo e entretenimento, ou entre jornalismo e humor – afinal isso não é novidade. Ao contrário. Essa mescla está banalizada, em prejuízo da informação. Em regra, os programas esportivos pouco trazem de notícia que interessa; preocupam-se em fazer rir com piadas, trocadilhos e futilidades, disfarçadas de jornalismo. Jogo Aberto, não. É transparente com o que se propõe.
O que despertou a atenção da plateia, e o que vem despertando a audiência dos telespectadores, é como mágica e magistralmente Jogo Aberto consegue promover esse sincretismo entre notícia, análise, opinião e brincadeiras. Sincretismo, por sinal, é a marca das narrativas audiovisuais do programa comandado pela jornalista Renata Fan.
As narrativas se dão a partir da fusão de diversos elementos – as falas dos debatedores, os detalhes cenográficos, as trilhas, efeitos e sonoras inseridos concomitantemente a tais falas; ao entrosamento entre os participantes, e principalmente à preocupação em buscar a realidade factual, condição sine qua non do jornalismo.
Mesmo em tempos de ciberespaço, a televisão aberta se faz onipresente nos lares, bares, restaurantes, lugares brasileiros. Por sua vez, o futebol é pauta de conversas no trabalho, na escola, nas filas, no ponto de ônibus, em casa. seus assuntos prediletos.
Em tempo 1: entre outros méritos, Jogo Aberto tem o de ser a primeira mesa-redonda da televisão aberta comandado por uma mulher. É assim desde a primeira edição, há 12 anos.
Em tempo 2: o artigo acadêmico sobre Jogo Aberto deverá ser publicado em dezembro, no .
Crédito:Arquivo pessoal
* é jornalista e professor de disciplinas de Comunicação na rede estadual de ensino profissional do Paraná. Mestre em Estudos de Linguagens (UTFPR). Mantém um site de notícias ( ) e promove cursos e oficinas nas áreas de Comunicação e Cultura, sobre as quais desenvolve pesquisas também.
Acabo de terminar um artigo, cuja preliminar foi apresentada mês passado no seminário “Cinema em Perspectiva”, promovido pela Universidade Estadual do Paraná (Unespar) em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), no qual, baseando-se nas teorias de linguagem dos estudos do Círculo de Bakhtin, algumas narrativas audiovisuais do programa foram analisadas.
E a reação dos presentes na sessão de apresentação ratifica o sucesso de Jogo Aberto registrado em indicadores como o Ibope ou os trend topics do Twitter. Uma parte da plateia conhecia o programa – alguns estavam lá justamente interessados pelo tema do trabalho, intitulado “Futebol na hora do almoço: narrativas audiovisuais do Jogo Aberto”. Outra, não, mas se revelou instigada em experimentar, diante dos exemplos trazidos.
Crédito:Reprodução / Band Reprodução de frame de momento de humor do programa Jogo Aberto
Não só pela mistura entre jornalismo e entretenimento, ou entre jornalismo e humor – afinal isso não é novidade. Ao contrário. Essa mescla está banalizada, em prejuízo da informação. Em regra, os programas esportivos pouco trazem de notícia que interessa; preocupam-se em fazer rir com piadas, trocadilhos e futilidades, disfarçadas de jornalismo. Jogo Aberto, não. É transparente com o que se propõe.
O que despertou a atenção da plateia, e o que vem despertando a audiência dos telespectadores, é como mágica e magistralmente Jogo Aberto consegue promover esse sincretismo entre notícia, análise, opinião e brincadeiras. Sincretismo, por sinal, é a marca das narrativas audiovisuais do programa comandado pela jornalista Renata Fan.
As narrativas se dão a partir da fusão de diversos elementos – as falas dos debatedores, os detalhes cenográficos, as trilhas, efeitos e sonoras inseridos concomitantemente a tais falas; ao entrosamento entre os participantes, e principalmente à preocupação em buscar a realidade factual, condição sine qua non do jornalismo.
Mesmo em tempos de ciberespaço, a televisão aberta se faz onipresente nos lares, bares, restaurantes, lugares brasileiros. Por sua vez, o futebol é pauta de conversas no trabalho, na escola, nas filas, no ponto de ônibus, em casa. seus assuntos prediletos.
Em tempo 1: entre outros méritos, Jogo Aberto tem o de ser a primeira mesa-redonda da televisão aberta comandado por uma mulher. É assim desde a primeira edição, há 12 anos.
Em tempo 2: o artigo acadêmico sobre Jogo Aberto deverá ser publicado em dezembro, no .
Crédito:Arquivo pessoal
* é jornalista e professor de disciplinas de Comunicação na rede estadual de ensino profissional do Paraná. Mestre em Estudos de Linguagens (UTFPR). Mantém um site de notícias ( ) e promove cursos e oficinas nas áreas de Comunicação e Cultura, sobre as quais desenvolve pesquisas também.





