Opinião: Guerra midiática marca eleição municipal de São Paulo
O clima das eleições dominou a cobertura da TV brasileira no último domingo (07/10). Todas as emissoras cobriram o acontecimento. Algumas com maior dedicação.
Atualizado em 10/10/2012 às 11:10, por
Fabio Maksymczuk.
O SBT, como sempre, pouco abordou a disputa eleitoral. A Rede Globo iniciou, de fato, a transmissão a partir das 17 horas com William Bonner e Alexandre Garcia. Os dois jornalistas anunciaram a pesquisa de boca de urna do IBOPE. Incrivelmente, em Curitiba, o instituto errou ao não identificar a votação de Gustavo Fruet. Em São Paulo, acertou. RedeTV!, Gazeta, Cultura e Band fizeram uma ampla cobertura do pleito eleitoral. A emissora de Dallevo surpreendeu ao destacar amplamente a eleição em interessantíssimos debates liderados por Kennedy Alencar. É verdade que o jornalista mostra uma queda pelo PT. Em um determinado momento, até passou a ideia de entender a postura de José Genoino que ficou irritado com diversos repórteres. Jornalismo isento e imparcial não existe. Já na Band, Boris Casoy comandou as discussões. Ticiana Villas Boas anunciava os mais recentes dados das votações dos candidatos de todo o Brasil. Ficou um pouco atrapalhada, em alguns instantes, na interação com o cenário virtual. Já na Gazeta, Maria Lydia mostrou toda a sua competência no comando das entrevistas. O melhor momento apareceu no bate-papo com a candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine. Dentre os canais da TV paga, a Globo News cobriu as Eleições 2012 com melhor desenvoltura. Mesmo antes das “aberturas das urnas”, a emissora mostrava o dia da votação. Fato que ficou menosprezado na Record News e Band News. A Record não se envolveu com grande atenção na cobertura das Eleições. Isso até é compreendido devido ao imbróglio que a emissora se viu envolvida com o candidato Celso Russomanno (PRB/SP). Ana Paula Padrão anunciava as últimas informações sobre a votação, em flashes, durante o “Programa do Gugu”. Esse ponto precisa de uma maior análise. Russomanno, de fato, recebeu um tratamento especial da Record, digamos assim, antes do horário eleitoral gratuito. Trocou o PP pelo PRB, partido ligado a IURD. Desabou nas pesquisas com a exploração de tal fato. Um sinal do fenômeno surgiu no Portal R7. Mesmo em queda, a manchete da matéria publicada no Portal não explorava a tendência. Dizia: “Serra e Russomanno devem disputar 2º turno”. Um ponto de vista mais otimista. Porém, Russomanno sofreu um bombardeio das grandes corporações midiáticas. Na mídia impressa, a situação ficou ainda mais visível. O Estado de S. Paulo, diariamente, publicava informações negativas sobre Russomanno. Com amplo destaque. Manchetes “berravam” na primeira página do periódico. Isso provocou repulsa na classe média paulistana. Valor Econômico não ficou para trás. Uma matéria de página inteira simboliza o fenômeno: “Russomanno votou contra os trabalhadores”. Mais parecia um panfleto de candidatura adversária. Fora a construção do perfil publicado no Valor na semana de véspera da eleição. A Globo, evidentemente, também não ficou atrás. Cesar Tralli cumpriu a missão ao cutucar Russomanno no “SPTV”. A ligação de Gabriel Chalita com o movimento carismático da Igreja Católica sequer foi levantada nas discussões sobre a mistura de religião e política. Russomanno não é o único. Serra abusou de tal arma em 2010. Aliás, os líderes católicos desconstruíram Russomanno e atacaram a postura da IURD. Guerra santa. A cobertura midiática tendenciosa para um ou outro candidato marcou as eleições municipais de São Paulo. Como sempre ressalto, ninguém é santo.
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