Opinião: “Gestão de Crises como conteúdo fundamental na formação dos comunicadores”, por Laura Maria Gluer

Em meio a tantas crises mal gerenciadas no cenário político e empresarial, fica difícil não imaginar que está faltando preparação dos atores

Atualizado em 12/09/2017 às 14:09, por Laura Maria Gluer.

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envolvidos nesta área. Está em falta no mercado a capacidade de assessores (e assessorados) de antever cenários de risco, preparar as fontes para lidar com a imprensa e com o calor das redes sociais, elaborar estratégias de posicionamento e gestão na hora da crise.
Gerenciar crises é uma arte que se aprende em tempos de normalidade. Exige método, disciplina. Necessita a criação de um comitê de crise, capaz de levantar cenários, projetar ações e mobilizar recursos. Este comitê deve funcionar como uma Brigada de Incêndio, sempre a postos, que periodicamente deve se encontrar para rever o seu planejamento.
Este planejamento, chamado Plano de Contingência, também tem estrutura própria, responde algumas perguntas fundamentais. Não é um dogma, mas pode funcionar como um documento norteador. E também se aprende a fazer a partir de um roteiro, exercitando várias vezes.
Outra grande dificuldade que observo é na redação do discurso para responder a opinião pública. Por mais que o modelo penitencial na hora das crises seja bastante usado, ele muitas vezes soa falso, incoerente com a trajetória da organização. E quando não tem liga, não funciona.
É preciso que o posicionamento transmita uma comunicação de crise genuína e para isso são necessários bons comunicadores. Comunicadores com visão sistêmica, sensível às demandas sociais, capazes de afinar o discurso minimizando novos impactos negativos na hora de uma crise. Este é o tipo de conteúdo que os cursos de Comunicação precisam valorizar na formação dos profissionais. Principalmente a pós-graduação em Comunicação.
A impressão que tenho é que alguns posicionamentos de crise são redigidos unicamente pelo Departamento Jurídico (com todo o respeito aos advogados), sem considerar o posicionamento estratégico da comunicação nestas situações. Precisamos mudar isso e legitimar o papel da comunicação na gestão de crises.
: Jornalista, especialista em Comunicação Organizacional, mestre e doutora em Comunicação. Assessora de Comunicação e Consultora em Crises de Imagem há mais de 20 anos, autora do livro Assessoria não é Acessório. Docente universitária, empresária, consultora no programa Academia do Discurso e diretora de Assuntos Universitários na Associação Riograndense de Imprensa-ARI/RS. Influenciadora digital e idealizadora do programa Café Espresso para uma Comunicação Expressa. Ministra cursos e treinamentos livres e in company na área de Comunicação, Crises de Imagem e Gestão do Tempo há mais de 15 anos.