Opinião: Campanha de Chiquinho Scarpa “enterra” a imprensa
Coluna de Thaís Naldoni sobre o enterrro do carro de Chiquinho Scarpa
Nesta semana, a mídia foi surpreendida por uma campanha bem pensada e que colocou a imprensa nacional, mais uma vez, em saias bem justas. Na última segunda (16), o milionário excêntrico Chiquinho Scarpa anunciou, por meio de sua conta no Facebook, que faria o “enterro” de um luxuoso carro, inspirado nos hábitos dos faraós do Egito.
Estranhamento geral, risadas, indignação – inclusive dessa jornalista que vos fala, que achou das coisas mais bizarras que já leu na vida. O fato é que, pelo retrospecto do Conde Scarpa, não era de se duvidar do acontecimento. Ainda assim, achei muita fé – ou falta de fé – no jornalismo, da agência que orquestrou a ação, a Leo Burnett, que visava alavancar a Campanha Nacional de Doações de Órgãos.
Por que digo isso? Óbvio que geraria curiosidade, as pessoas comentariam, mas foi corajoso acreditar - e acertar – que a repercussão seria assim tão gigante, e que muito veículo de comunicação compareceria à mansão de Scarpa para presenciar o “sepultamento”, com equipes fazendo entradas “ao vivo”, fotos, entrevistas e afins.
O objetivo da ação é nobre, válido e o planejamento eficaz. No entanto, é mais um dos tapas que a mídia nacional toma , e merecidamente, diga-se. Afinal, além da bizarrice, qual seria a grande pauta de um milionário que resolve imitar um faraó e enterrar o carro? Essa é a realidade da imprensa brasileira, em que a antinotícia e o espetáculo norteiam a cobertura.
E a Léo Burnett mandou muito bem, principalmente por identificar tal comportamento midiático, e inteligentemente, usar do imediatismo e da falta de critério da mídia para promover uma causa nobre e urgente.
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