Opinião: "Bots e Robots", por Heródoto Barbeiro
Tudo começou na Revolução Francesa. Nem bem o processo revolucionário avançou, caiu a censura a imprensa. Partid
Crédito:Reprodução Jean-Paul Marat
A tecnologia à disposição das redes sociais criou uma nova oportunidade de divulgação de qualquer informação. Chegou a um ponto onde os bots, ou robots, executam as tarefas de interferir no conteúdo mais rápido que os seres humanos. São softwares para aumentar audiência, compra de curtidas e até de militantes falsos. Nas últimas campanhas eleitorais, eles difundiram informações falsas e mentirosas sobre os adversários. Uns criaram verdadeiras fazendas de cliques, com smartphones conectados e pagos para isso. Os truques de todo lado incentivaram o nascimento da militância automatizada. Mais uma vez é necessário reavivar o bom e velho ditado: não acredite em tudo o que vê. Especialmente nas redes sociais. E o que é mais importante: em dúvida, não compartilhe. Teoricamente, todos têm acesso aos aplicativos, mas se for um especialmente criado para atingir os ricos, famosos, celebridades, poucos receberão uma informação ou um convite. Os bots também são programados para selecionar. Uma das formas mais fáceis é entrar em um arquivo de um empresa aérea e copiar o nome de todos os passageiros que viajam de primeira classe. Não vão errar. Até ladrões, sequestradores e terroristas podem ter acesso ou comprar essa lista de hackers invasores. A Policia Federal também.
A tecnologia proporciona também um mundo paralelo, totalmente fake. Fotos de praias e resorts de causar inveja, carros luxuosos, comida de chefs famosos, viagens, alta costura, hotéis cinco estrelas fazem com que muita gente só exista virtualmente. Os perfis falsos se revestem de títulos acadêmicos inexistentes, currículo de palestras jamais proferidas, fatos do cotidiano jamais vividos e outra patifarias. O mais grave são informações tratadas como verdade só por seu apelo emocional, independentemente de serem checadas em seu conteúdo. É a contaminação do jornalismo com a "Fake News". De quem é a responsabilidade para conferir a autenticidade de um head line? Do público ou do emissor? Ou de ambos? Os desmentidos, como sempre, não tem a mesma força da divulgação. Pessoas conhecidas vão ver a sua reputação jogada no lixo e uma avalanche de ofensas entopem as redes sociais. Como os pasquins da Revolução Francesa essa onda de "Fake News" vai passar se os jornalistas se esforçarem e mostrar que a profissão busca o acúmulo de credibilidade, independência focada no serviço público, que fiscaliza os indivíduos e instituições, uma vez que o jornalismo de interesse público é o mesmo no transcorrer de mais de dois séculos.
* Heródoto Barbeiro é escritor e jornalista da RecordNews editor do Blog do Barbeiro, ex-âncora do Roda Viva, da TV Cultura, e do Jornal da CBN, autor nas áreas de jornalismo, historia, comunicação corporativa e budismo.






