Opinião: Bom Senso FC: imagem e mensagem

Nem sempre é fácil entender sobre que o protestam alguns manifestantes. Causas abstratas, propostas sem foco, dificuldade de comunicação e p

Atualizado em 14/11/2013 às 15:11, por Anderson Gurgel.

Protesto dos jogadores profissionais de futebol por melhores condições de trabalho chega ao ápice na rodada em que a equipe campeã do Brasileirão é revelada. Atletas politizam a sua causa, com imagens de fácil entendimento e de grande apelo.

ouca empatia com o público são alguns fatores que fazem com que alguns movimentos tenham dificuldade para ganhar a simpatia popular. Contudo, nem sempre é assim. Um bom exemplo de como se comunicar com clareza e criando imagens poderosas para defender suas bandeiras foi dada por jogadores de futebol.
Sim, acredite! Emergindo de todos os preconceitos e estereótipos que tendem a homogeneizar os jogadores de futebol como uma massa acéfala, somente focada em exibir seus carros de luxo, namoradas de ocasião e baladas, tivemos um fato novo ganhando o ambiente das mídias esportivas nos últimos tempos. E, como não poderia deixar de ser, esse grupo organizado de jogadores já fez um gol na escolha do nome da sua causa, ao pedir racionalidade, estratégia, respeito ao ser humano. Enfim, bom senso!

Esse assunto não é novo. Aqui mesmo, eu já o abordei em outro texto no fim de . Mas o que o Movimento Bom Senso FC fez, no último dia 13 de novembro, foi o seu momento de gala: o grupo de jogadores, organizado, conseguiu fazer coincidir o ápice dos seus protestos com a noite de confirmação do Cruzeiro como Campeão Brasileiro de 2013.

E não foi somente um ato isolado de protesto. Ou uma pequena faixa. Foi uma ação organizada, democrática, de manifestar suas ideias nas sete partidas realizadas no Campeonato Brasileiro na mesma noite. E tentar, com isso, ganhar a opinião pública.

Jogadores entrando misturados e todos segurando uma mesma faixa com a mensagem “Por um futebol Melhor para Todos”. Outras ainda questionando os “amigos da CBF” pelo desinteresse pela causa deles também foram vistas. Entenda-se como esses “amigos”, a Rede Globo e demais patrocinadores que até agora não se manifestaram sobre a causa deles.

Mas o ápice dessas manifestações deu-se no jogo do São Paulo FC e Flamengo, onde os jogadores passaram mais de um minuto trocando bolas sem nenhuma combatividade para fazer ver a sua manifestação. Pressões da arbitragem ameaçam punir com cartões os jogadores caso o jogo não começasse. Mas, afinal, há jogo quando não se compete? O lance de iniciar a partida sem disputa foi simplesmente genial.

O resultado desses protestos tão organizado, democrático e midiático não poderiam ser outro: até mesmo os jornais da Rede Globo tiveram que registrar os atos e colocar a questão para a sua audiência. Portais, sites e redes sociais da internet, já naturalmente mais abertos a esse movimento, amplificaram a questão. E até os jornais do dia seguinte também trouxeram o assunto em destaque. Na Folha de S.Paulo , por exemplo, jogadores do Grêmio e do Vasco aparecem na capa com os braços cruzados. Há símbolo mais potente que esse para passar a mensagem do Bom Senso FC?

Como já disse no texto anterior, ventos positivos parecem querer soprar para o futebol brasileiro. A despeito de todos os problemas com a organização da Copa do Mundo e os protestos de junho, durante a Copa das Confederações, um ambiente favorável para se politizar o futebol surgiu.

A percepção de que o esporte é uma mídia poderosa e espetacularizante foi, sem dúvida, uma jogada de mestre do Bom Senso FC. Na sociedade das imagens, até mesmo os protestos carecem de boas imagens para “existir”.

Nesse sentido, não foi só o Cruzeiro que ganhou um título na noite do último dia 13 de novembro. A classe dos jogadores profissionais – e por consequência todos os amantes do futebol – também. Que esse protesto traga um futebol de qualidade, que é o que todos queremos.

Estádios adequados para recepcionar um produto esportivo mais bem acabado, de boa qualidade, e com profissionais motivados nós já temos.

E aí amigos da CBF, o que vocês vão dizer sobre o assunto?

Para ler outras opiniões do colunista, .