Opinião: "Big Stick Theore", por Heródoto Barbeiro

Parece nome de seriado da tevê, mas não é. Fale com delicadeza, mas leve um porrete grande, você vai chegar longe.  Trump recuperou mai

Atualizado em 27/06/2017 às 10:06, por Redação Portal IMPRENSA.

Crédito:Edu Moraes Parece nome de seriado da tevê, mas não é. Fale com delicadeza, mas leve um porrete grande, você vai chegar longe. Trump recuperou mais uma herança de tempos passados. Ao mesmo tempo que deslocou uma poderosa esquadra da marinha para a península da Coreia, espalhava pelo seu espalhafatoso Twitter que se sentiria orgulhoso em se encontrar com o ditador fanfarrão sediado em Pyongyang. Seria o encontro do século dos egos. Os norte-coreanos tem um argumento considerável para se relacionar com os seus vizinhos, aliados dos Estados Unidos, especialmente a Coreia do Sul e o Japão, uma coleção de seis bombas atômicas devidamente testadas e estocadas. O exótico Kim Jong-un sabe promover um show de audiência mundial. A cada comemoração da dinastia que se apossou do poder, faz um desfile monumental com muitas armas, soldados, mísseis, exibição de ginástica coletiva sob o aplauso aparvalhado dos militares que o cercam. As palmas precisam ser convincentes para que o dissidente não tenha o mesmo destino do tio e do meio-irmão, ambos assassinados. Para negociar com um dos países que fez parte do que George W. Bush chamou de "Eixo do Mal", nada como buscar no passado uma solução que deu certo, ainda que em outra conjuntura: a política do Big Stick . Crédito:Reprodução

Era desta forma que os países devedores e instáveis politicamente deveriam ser tratados. Pegaram dinheiro dos bancos americanos e não pagaram, era inaceitável. O embaixador deveria tentar de todas as formas receber a dívida, mas, em último caso, se a delicadeza não fosse suficiente... ai então usava-se o porrete grande: os marines. A frota de guerra crescia muito no início do século XX e buscava reservar os mares que banham o Caribe, a América Central e do Sul só para os marinheiros do Tio Sam. Era uma meia sola na velha e boa "Doutrina Monroe", a que dizia que a America era para os americanos. Gracas a essa forma de convencimento foi nomeado um conselheiro americano para o governo da Republica Dominicana que de fato era o ministro da fazenda. Outro sucesso de Roosevelt, o Theodore, foi o de apoiar um movimento que terminou com a independência do Panamá da Colômbia, que em troca concedeu a licença para que os Estados Unidos construíssem o celebre canal.

Ted era o mesmo homem que impediu um caçador de matar uma mamãe urso e por isso o filhote ganhou o nome de Ted Bear. Todo ursinho de pelúcia tem esse apelido. A política da fala macia culminou com o Premio Nobel da Paz para um homem que viveu aventuras perigosas, lutou na guerra, era partidário de um poder militar forte e não vacilava em ocupar áreas estratégicas como o protetorado sobre Cuba. O Nobel foi a recompensa pelos esforços que o belicoso Theodore Roosevelt fez para pôr um fim à guerra entre Rússia e Japão. Em 1906 trouxe os dois contendores para uma conferencia nos Estados Unidos e saiu de la com um tratado de paz. Era um contra-senso que poucos entendiam. O que sua politica realmente tinha como objetivo era estabelecer um equilíbrio de poder na Ásia que garantisse a presença americana nos mercados asiáticos especialmente no da China. Na primeira oportunidade usou o Big Stick contra o Japão quando restringiu drasticamente a imigração dos japoneses para a Califórnia, atendendo aos reclamos xenofóbicos dos nativos. Poder militar e xenofobia estão entre as heranças de Donald Trump. A historia não se repete. Mas pode inspirar sucessores.


*Heródoto Barbeiro é escritor e jornalista da RecordNews editor do Blog do Barbeiro, ex-âncora do Roda Viva, da TV Cultura, e do Jornal da CBN, autor nas áreas de jornalismo, historia, comunicação corporativa e budismo.