Opinião: Alagoas refaz pouco a pouco a imagem de terra devastada que povoa o noticiário

Meio século na vida de uma instituição é motivo de sobra para comemorar. Ainda mais quando se trata de entidade educativa como a Universid

Atualizado em 01/08/2011 às 09:08, por José Marques de Melo.

Meio século na vida de uma instituição é motivo de sobra para comemorar. Ainda mais quando se trata de entidade educativa como a Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Se a efeméride não fosse tão emblemática, outro indicador seria suficiente para organizar festejos.
A universidade da terra de Graciliano Ramos tem como timoneira uma mulher forjada pela bravura sertaneja, uma médica atenta aos sintomas da barbárie endêmica que atrofia os horizontes da juventude alagoana. Trata-se da fome cognitiva de uma população condenada ao mutismo político e à marginalidade social ou à emigração.
Pois bem, a professora Ana Dayse Rezende Dorea completa o segundo mandato na reitoria da Ufal justamente no ano do cinquentenário. E sua despedida institucional será marcada por uma iniciativa paradigmática, idealizada por uma de suas mais eficientes colaboradoras.
Refiro-me a Sheila Maluf, diretora da Edufal e organizadora da Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Agendada para a última semana de outubro deste ano, a 5ª Bienal vai comemorar as bodas de ouro da Ufal de modo retumbante.
O clímax do evento será a apresentação de uma coleção de livros formada por 50 títulos. Cada ano de vida da Ufal será festejado pelo lançamento de uma obra publicada pela Edufal, disseminando o conhecimento produzido pela instituição ou democratizando o pensamento cultivado por seus mestres e pesquisadores.
A seleção das obras contempladas com a publicação está sendo feita pelo conselho científico da editora, segundo critérios que asseguram a representatividade de todas as áreas do conhecimento, de todos os campi da universidade e de todas as gerações de pesquisadores.
Esta é uma maneira tranquila, criativa e inteligente de celebrar, potencializando o saber gerado pela comunidade acadêmica e garantindo sua ampla circulação, com o intuito de influir nas transformações da sociedade. Os resultados dessa ousada estratégia somente serão aferidos com o passar do tempo, dependendo da capacidade empática dos seus autores, que terão oportunidades para veicular suas descobertas, invenções ou interpretações durante os seminários e colóquios incluídos na programação da 5ª Bienal do livro alagoano.
O mérito de tais inovações cabe inegavelmente às equipes lideradas por Ana Dayse e Sheila Maluf, da Ufal e da Edufal, onde trabalham com afinco, entusiasmo e perseverança.