Opinião: A internet é capaz de estar em todos os lugares e em nenhum ao mesmo tempo
À medida que aumenta a velocidade e o número de conexões, a rede mundial de computadores se comporta como se fosse uma única máquina. Poderosa, abrangente, em constante expansão e programada para nunca ser desligada, a internet é um fenômeno de engenharia que, entre outras façanhas, é capaz de estar presente em todos os lugares e em lugar nenhum ao mesmo tempo; é cada vez mais fácil entrar na rede, ao mesmo tempo que é impossível localizá-la no mapa.
Atualizado em 05/07/2011 às 13:07, por
Luli Radfahrer.
digital?
À medida que aumenta a velocidade e o número de conexões, a rede mundial de computadores se comporta como se fosse uma única máquina. Poderosa, abrangente, em constante expansão e programada para nunca ser desligada, a internet é um fenômeno de engenharia que, entre outras façanhas, é capaz de estar presente em todos os lugares e em lugar nenhum ao mesmo tempo; é cada vez mais fácil entrar na rede, ao mesmo tempo que é impossível localizá-la no mapa. Parece até algo místico. Ou ideológico.
De todas as conquistas, talvez a mais impressionante seja a capacidade de aprender coisas novas. A cada instante, serviços de previsão, localização, recomendação e logística se tornam mais precisos, com sugestões tão boas ou melhores do que uma pessoa média o faria. Quem nunca se espantou com um bom caminho proposto pelo GPS ou um bom livro sugerido por uma loja on-line? Quem sugere esse conteúdo? Como ele "melhora" com o tempo?
A resposta natural seria apelar para as tradicionais teorias de conspiração, em que empresas poderosas - dessa vez a Apple, Amazon e Google - promoveriam pautas para tentar dominar o mundo. Essa resposta, no entanto, não convence mais ninguém. Até porque isso já foi tentado em uma época que a mídia era mais sujeita aos humores dos anunciantes e não deu muito certo. CEOs não são tão geniais quanto seu ego sugere.
Mesmo sem pauta ou conselho editorial, o aprendizado da rede cresce a cada instante, e muito pouco dele é aleatório. Arrisco dizer que ele esteja só começando. Não vai demorar para que as máquinas cruzem instantaneamente todos os dados disponíveis de cada pessoa, de informações de biometria (retiradas das peças de roupa consumidas, baixadas dos estoques) ao consumo de energia por aparelho, em cada nível de operação e intensidade. Não será difícil fazer um pouco de engenharia reversa e identificar a posição de cada indivíduo a partir do rastro digital que é deixado, combinado com o histórico de suas ações. Esse momento está cada vez mais próximo e não haverá escapatória. Serão muito poucos os que estarão completamente desconectados, e sua passagem deixará sombras no registro dos outros.
Parece um filme ruim de ficção científica, mas é a realidade. Cada usuário alimenta a supermáquina ao usar o GPS no celular, clicar aleatoriamente em links, selecionar resultados em mecanismos de busca, comentar vídeos, conversar ou observar perfis em redes sociais. O lazer e o trabalho na rede fornecem dados minúsculos e irrelevantes que, acumulados aos milhões, criam um arquivo de onde é possível traçar as mais surpreendentes correlações estatísticas.
É impossível - e infrutífero - se opor a essa máquina. É fundamental, no entanto, perceber até que ponto as decisões estão sendo tomadas em seu nome, e até que ponto você realmente concorda com o que é dito sobre você. Nunca foi tão difícil e fascinante identificar e questionar o poder da mídia.
À medida que aumenta a velocidade e o número de conexões, a rede mundial de computadores se comporta como se fosse uma única máquina. Poderosa, abrangente, em constante expansão e programada para nunca ser desligada, a internet é um fenômeno de engenharia que, entre outras façanhas, é capaz de estar presente em todos os lugares e em lugar nenhum ao mesmo tempo; é cada vez mais fácil entrar na rede, ao mesmo tempo que é impossível localizá-la no mapa. Parece até algo místico. Ou ideológico.
De todas as conquistas, talvez a mais impressionante seja a capacidade de aprender coisas novas. A cada instante, serviços de previsão, localização, recomendação e logística se tornam mais precisos, com sugestões tão boas ou melhores do que uma pessoa média o faria. Quem nunca se espantou com um bom caminho proposto pelo GPS ou um bom livro sugerido por uma loja on-line? Quem sugere esse conteúdo? Como ele "melhora" com o tempo?
A resposta natural seria apelar para as tradicionais teorias de conspiração, em que empresas poderosas - dessa vez a Apple, Amazon e Google - promoveriam pautas para tentar dominar o mundo. Essa resposta, no entanto, não convence mais ninguém. Até porque isso já foi tentado em uma época que a mídia era mais sujeita aos humores dos anunciantes e não deu muito certo. CEOs não são tão geniais quanto seu ego sugere.
Mesmo sem pauta ou conselho editorial, o aprendizado da rede cresce a cada instante, e muito pouco dele é aleatório. Arrisco dizer que ele esteja só começando. Não vai demorar para que as máquinas cruzem instantaneamente todos os dados disponíveis de cada pessoa, de informações de biometria (retiradas das peças de roupa consumidas, baixadas dos estoques) ao consumo de energia por aparelho, em cada nível de operação e intensidade. Não será difícil fazer um pouco de engenharia reversa e identificar a posição de cada indivíduo a partir do rastro digital que é deixado, combinado com o histórico de suas ações. Esse momento está cada vez mais próximo e não haverá escapatória. Serão muito poucos os que estarão completamente desconectados, e sua passagem deixará sombras no registro dos outros.
Parece um filme ruim de ficção científica, mas é a realidade. Cada usuário alimenta a supermáquina ao usar o GPS no celular, clicar aleatoriamente em links, selecionar resultados em mecanismos de busca, comentar vídeos, conversar ou observar perfis em redes sociais. O lazer e o trabalho na rede fornecem dados minúsculos e irrelevantes que, acumulados aos milhões, criam um arquivo de onde é possível traçar as mais surpreendentes correlações estatísticas.
É impossível - e infrutífero - se opor a essa máquina. É fundamental, no entanto, perceber até que ponto as decisões estão sendo tomadas em seu nome, e até que ponto você realmente concorda com o que é dito sobre você. Nunca foi tão difícil e fascinante identificar e questionar o poder da mídia.






