Operadora de TV paga argentina inclui canal pró-governo em sua grade

Operadora de TV paga argentina inclui canal pró-governo em sua grade

Atualizado em 05/11/2010 às 10:11, por Redação Portal IMPRENSA.

O canal cultural (á), que integra a programação da operadora de TV via satélite argentina Direct TV, terá que ser retirado do ar para cumprimento da nova legislação de mídia da Argentina. Em seu lugar, será colocada a emissora de notícias CN23, que pertence ao empresário Sergio Szpolsky, ligado à presidente do país, Cristina Kirchner.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo , mais de 1 milhão de assinantes da Direct TV serão atingidos pela lei. A mudança cumpre a exigência de inclusão de sinais de emissoras públicas ou com participação do Estado argentino. A multiestatal Telesur - sediada na Venezuela -, também integrará a programação da operadora. A Pramer, empresa responsável pela produção e distribuição do (á), informou que está em fase de negociações com o Estado argentino e a Direct TV, para voltar a ser transmitida.

Segundo informações da mídia local, a operadora de TV por assinatura teve que retirar a emissora cultural do ar pois sua capacidade de transmissão saturou. Para a oposição argentina, a inclusão do CN23 deixa a mostra os esforços da presidente para apoiar veículos favoráveis ao seu governo.

A nova lei de mídia da Argentina foi aprovada pelo Congresso em 2009, e gerou polêmica. Em setembro deste ano, integrantes da militância governista promoveram uma marcha para reivindicar a aplicação da Lei de Imprensa, que havia sido embargada pela Justiça. Os manifestantes exigiram que a Suprema Corte se posicionasse sobre as sentenças judiciais que engessavam as normas. Entre os dispositivos congelados pela Justiça, está o que concede 12 meses para que grupos de meios de comunicação se desprendam de algumas licenças.

Outra operadora de TV paga que temia sofrer intervenção do governo é a Cablevisión, que pertence ao Grupo Clarín. A Cablevisión possui 28 processos administrativos abertos pelo Estado, que alega supostas irregularidades da empresa. Grande parte das ações contra a operadora se referem à superexposição de licenças e à sua reorganização acionária.

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