ONU exige que México investigue morte de jornalistas; 80 foram assassinados em 11 anos
Na última semana, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh), deu um ultimato ao governo mexicanopara que investigue as mortes de jornalistas ocorridas no país.
Só em setembro, o México registrou quatro mortes de jornalistas que fizeram matérias sobre o crime organizado. Desde 2000, 80 foram mortos no país, segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O último caso foi a cruel decapitação da editora do jornal Nuevo Laredo , Maria Elizabeth.
Em um comunicado de Genebra, o representante do Acnudh, Rupert Colville, informou que "as mortes demonstram a extrema vulnerabilidade dos jornalistas e a deterioração da liberdade de expressão no país". Colville também considera que os assassinatos são mensagens dos assassinos para silenciar informações relacionadas ao tráfico de drogas.
Basta de sangue
Além da repercussão mundial, o tema foi inspiração para uma campanha do caricaturista mexicano Eduardo Del Rio. Ele criou o lema "Basta de Sangue" e tenta, por meio de seu trabalho e de diversos outros colegas cartunistas, chamar a atenção para a situação de violência em sua pátria. O clima violento no país se intensificou após o presidente Felipe Calderón ter declarado guerra contra o tráfico, em 2006. Desde então, mais de 40 mil pessoas foram mortas.
A campanha tem o apoio dos principais jornais do país, como o La Jornada, o Reforma e o Milenio . Os caricaturistas permitiram o uso livre para publicação. A iniciativa também recebe apoio do RSF.
Justamente por participar da campanha, o caricaturista Rafael Pineda, que atua como jornalista no Estado de Veracruz, precisou fugir para que não fosse seqüestrado. Ele recebeu diversas ameaças e viu um de seus amigos sofrer tentativa de sequestro. Mesmo fora de sua região, Pineda continua a fazer críticas contra o governo e a violência de seu Estado.
Ainda em Veracruz, os jornalistas Gilberto Martinez Vera e Maria de Jesús Bravo Pagola foram detidos por espalhar, via redes sociais, possíveis ataques do crime organizado na região. Três jornalistas já foram mortos na região.
Mapa de perigo à imprensa
A organização Knight Center for Journalism in the Americas mapeou as regiões de maior perigo para a atuação de jornalistas no México. Em 2011, diversos casos de sequestro, ataques com armas, granadas e bombas às sedes de meios de comunicação foram registrados. O mapa identificou que a maioria dos ataques foi feita pelo crime organizado e permanece impune.
Veja o mapa com a relação completa de jornalistas mortos
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