ONU anuncia dia internacional para combater impunidade de crimes contra jornalistas

A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) publicou nesta terça-feira, 2 de novembro, o relatório “Ameaças que silenciam: tendência na segurança de jornalistas”.

Atualizado em 02/11/2021 às 10:11, por Redação Portal IMPRENSA.


O trabalho mostra que, de 2016 a 2020, a quantidade de casos de violência contra jornalistas cresceu em todo o mundo, embora o número de jornalistas assassinados tenha diminuído cerca de 20%, atingindo a marca de 491 profissionais. Porém, 9 em cada 10 assassinatos de jornalistas ficam impunes, de acordo com o trabalho.
Diante de tal situação, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse durante a COP 26 que a entidade vai criar o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes Contra Jornalistas. Crédito:Reprodução ONU

Somente em 2020, 62 jornalistas foram assassinados por motivos relacionados a seu trabalho, contra 57 em 2019. Ainda de acordo com o relatório da Unesco, Ásia e América Latina são as regiões do mundo mais perigosas para atuar como profissional de imprensa. Cada uma delas registrou 123 assassinatos de jornalistas de 2016 a 2020.
Brasil

O país com mais profissionais de imprensa mortos por realizar seu trabalho foi o México, com 61 assassinatos. O Brasil lidera a lista na América do Sul, com 14 jornalistas assassinados no período.
Para a Unesco, o crescimento da violência contra profissionais de imprensa é um sinal do enfraquecimento do Estado de direito.
Dos 139 jornalistas assassinados na América Latina entre 2016 e 2020, metade recebeu ameaças devido a seu trabalho. “Tal situação deixa claro que é preciso fortalecer as investigações e os processos judiciais de ameaças de ameaças contra profissionais de imprensa”, ressalta Guterres.
O relatório também mostra que a participação de jornalistas mortos em zonas de confronto armado vem caindo no número total, enquanto os assassinatos de profissionais de imprensa que cobrem notícias locais vem crescendo.
Dentre as violências não-letais cometidas contra jornalistas, o trabalho destaca sequestros, prisões arbitrárias, ameaças, assédio e retaliação contra familiares.
O trabalho destaca ainda o crescimento das agressões contra profissionais de imprensa que cobrem protestos e manifestações. De janeiro a agosto de 2021, esse tipo de violência foi registrado em ao menos 60 países.