ONG acusa China de descumprir promessas de liberdade de imprensa e manifestação
ONG acusa China de descumprir promessas de liberdade de imprensa e manifestação
Em comunicado enviado, no último domingo (17), à agência de notícias Efe, a ONG Chinese Human Rights Defenders (CHRD) acusou o Governo chinês de descumprir suas obrigações com a liberdade de imprensa e de manifestação, que assumiu ao se candidatar como sede para os Jogos Olímpicos.
"A China castigou o povo que concedeu entrevistas (a jornalistas) ou solicitou permissões para se manifestar, o que rompe sua promessa de permitir a liberdade de imprensa e as manifestações nas 'regiões de protesto durante os Jogos", disse a organização na carta.
Em 2000, durante as Olimpíadas de Sydney foram criadas áreas para protestos, que foram mantidas nos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas. Na China, haviam sido designadas três províncias para esse fim, o parque Ritan, o Purple Bamboo e o Beijing World; mas, até agora, as administrações destes três parques disseram que ainda não receberam nenhuma ordem da Polícia para habilitar as zonas para protestos e o Birô de Segurança Pública não respondeu quantas solicitações receberam.
Ignorando esse compromisso, as forças de segurança da China detiveram ou mantêm sob vigilância ao menos oito cidadãos chineses destas três províncias que solicitaram autorização para denunciar, em Pequim, as corrupções imobiliárias, expropriações ilegais e abusos policiais. O jornal independente South China Morning Post classificou como "truque" a designação das três regiões para as manifestações.
"Se o Comitê Olímpico Internacional (COI) e os líderes dos EUA e a União Européia (UE) mantiverem seu silêncio, perante as promessas quebradas que receberam em troca de seus pedidos de liberdade, perderão sua credibilidade e se transformarão em cúmplices dos abusos da China Olímpica", acrescenta a nota.
De acordo com informações da Efe, a maioria dos protestos pacíficos que aconteceram até agora foram feitos sem solicitação, como no caso dos ativistas estrangeiros da Free Tibete Campaign, que sabiam de antemão que não receberiam permissão por serem considerados como uma "ameaça contra a união nacional". Os ativistas pró-tibetanos, que realizaram protestos quase diariamente, foram detidos e deportados a seus países de origem.
A CHRD lembra ainda três casos de desapropriados e ativistas que foram detidos após conceder entrevistas à imprensa estrangeira: Zhang Wei e Ma Xiulan, que se manifestaram ao sul de Praça da Paz Celestial, e Wang Guilan, que concedeu uma entrevista por telefone.
Outra organização não governamental, a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que planejava ir a Pequim para pedir liberdade de imprensa, não recebeu o visto das autoridades chinesas para entrar no país. "É uma prova de que o Governo chinês não tolera nenhuma forma de protesto", assinala Matt Whitticase, porta-voz da Free Tibete Campaign.
No início de agosto deste ano, vários jornalistas estrangeiros foram detidos e mal-tratados ao tentarem cobrir supostos atentados com bomba no oeste da China e, na última quarta-feira (13), um jornalista britânico foi detido enquanto cobria um protesto de ativistas pró-tibetanos, que também foram presos. Além disso, correspondentes denunciam que são observados e intimidados.
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