"Ombusman deve 'promover a dúvida, não corroborar certezas'", diz Lins da Silva sobre fim de seu mandato
"Ombusman deve 'promover a dúvida, não corroborar certezas'", diz Lins da Silva sobre fim de seu mandato
No último domingo (21), o jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva comentou sobre sua saída da função de ombudsman do jornal Folha de S. Paulo . Em texto intitulado "1 é pouco, dois é bom, três é demais", ele defende o mandato de no máximo dois anos na função e ressalta que a desvinculação do posto evitará embates no "ambiente carbonário" em ano de eleições à Presidência da República.
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| Carlos Eduardo L.da Silva |
"Depois do segundo ano de críticas, ou o ombudsman já conseguiu convencer a redação de algumas coisas ou dificilmente o fará, não importa quantas vezes mais volte a bater na mesma tecla. Discurso e reação começam a ser previsíveis e se tornam inúteis", escreveu Lins da Silva, acrescentando que um "terceiro mandato seria particularmente inviável por coincidir com uma eleição presidencial em que se exercitarão com força total os piores instintos de parcela pequena, mas nefasta do eleitorado (...)". No texto, o jornalista escreve que a atual disputa política, para alguns, tornou-se sectária e desgastante nos últimos anos.
Ao ressaltar que, para ele, o ombudsman deve "promover a dúvida, não corroborar certezas", fazendo relação entre o leitor e a redação e pontuando equívocos do jornal, Lins diz que a prerrogativa, porém, torna-se difícil em um ambiente "reduzido a motivações partidárias, de um lado e de outro". O jornalista ainda cita um exemplo vivenciado no jornal para se justificar:
"Uma troca de mensagens entre mim e um leitor foi apropriada por terceiro, que deturpou seu conteúdo, atribuiu a mim afirmações que eu não fizera e a endereçou a blogs de jornalistas, que a acolheram e a abriram a comentários sem jamais terem consultado nem o emissor nem o destinatário do e-mail se ele correspondia ao real".
Ao final, o jornalista exalta a posição da Folha , dizendo que mesmo "nos episódios mais delicados", nunca recebeu ordens para que evitasse comentários ou abordasse um tema em detrimento a outro.
Lins da Silva exerce o cargo de ombudsman no jornal desde abril de 2008 e teve o mandato renovado em 2009. Em seu lugar, assume Susana Singer, ex-secretária de redação do jornal.
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