Ombudsman fala sobre pluralidade de opiniões na "Folha", isenção e fim do impresso
Viu só? Ainda sou cumprimentada na redação. Isso é bom sinal, né?”, brinca a jornalista Vera Guimarães Martins, do jornal Folha de S.Paulo,
Viu só? Ainda sou cumprimentada na redação. Isso é bom sinal, né?”, brinca a jornalista Vera Guimarães Martins, do jornal Folha de S.Paulo , durante sessão fotográfica para IMPRENSA. Ombudsman do veículo desde abril deste ano, Vera tem a missão de representar a voz do leitor no jornal, fazendo, muitas vezes, o papel de advogada do diabo, ao apontar falhas no trabalho dos colegas.
O ofício, às vezes, rende alguns bicos e olhares tortos, como a própria admite, mas justiça seja feita: ela também é hábil defensora do jornal, quando pertinente e necessário. “Ao contrário do que alguns leitores acreditam ou gostariam que fosse, eu não mando na redação. Sou mais uma opinião, uma visão do leitor. Não tenho caráter definidor, mas a redação ouve muito e há uma convivência muito produtiva”.
Crédito:Alf Ribeiro Vera Guimarães é ombudsman da "Folha" desde abril de 2014Décima segunda jornalista a ocupar o cargo, que em setembro completa 25 anos, Vera substituiu Suzana Singer, que esteve na função de 2010 até abril deste ano. Mal começou seu mandato e a nova representante dos leitores já teve coberturas difíceis para avaliar em sua coluna dominical e também nas críticas internas diárias. A Copa do Mundo, por exemplo, foi a primeira prova de fogo.
Em entrevista à “Folha Poder”, a jornalista disse que não só a capacidade do Brasil seria testada no torneio, mas do jornalismo da Folha também. Passados alguns meses, ela reafirma que a paixão contaminou a redação, e que o veículo se tornou torcedor. “Fiz algumas críticas que a redação não concordou, mas acho que a vitória da Seleção não merecia uma manchete em cinco colunas. Acho que perder da Alemanha de 7x1 não é o 11 de setembro. Foi chocante? Absolutamente. Usar ‘vergonha’, ‘decepção’, ‘ultraje’? Menos, né?”.
Com uma rotina diária que inclui o diálogo via e-mail com 35 leitores em média, Vera conta que sua experiência tem sido positiva, apesar de, às vezes, tomar sustos com mensagens mais exaltadas. “Às vezes você recebe a primeira mensagem e ela é uma bomba, a pessoa escreve em caixa alta, berrando com você. Então, paro e digo: vamos discutir critérios. E aí explico como funciona. Digo: ‘você está reclamando sobre determinado viés, mas será que também não há um viés na sua posição?’ Acaba sendo um diálogo positivo”.
À IMPRENSA, a jornalista falou sobre a pluralidade de opiniões defendida pela Folha , da busca pela imparcialidade e neutralidade política em tempos de eleição e sobre o futuro do jornalismo impresso.
IMPRENSA – Estamos às portas das eleições. Diante da clareza de posicionamento que prega o jornal, o leitor não cobra que a Folha se posicione sobre qual candidato apoiar?
Vera Guimarães - Não há problema nenhum em assumir uma candidatura, mas a Folha tem um perfil diferente. Você não vê no Estadão, por exemplo, uma gama tão ampla de opiniões de A a Z do espectro político representado no jornal ou no site. Há uma tendência e não há um erro nisso, que fique claro, que os veículos deem maior representatividade para quem não defenda os extremos. Você não tem um Guilherme Boulos, por exemplo, que é considerado um radical ou um Reinaldo Azevedo. A Folha tem os dois. Essa filosofia da imparcialidade está profundamente entranhada no projeto editorial da Folha. Não que não possa mudar. Isso é reavaliado de tempos em tempos, ainda mais nos últimos anos, que as coisas têm mudado com rapidez.
Para ler a entrevista completa da edição de setembro, acesse a de IMPRENSA.






