Ombudsman da "Folha" critica noticiário "sem provas" e menciona reportagem da "Veja"

"A imprensa navegou como nunca na mesma maré", diz ela.

Atualizado em 03/11/2014 às 09:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Em publicado no último domingo (2/11), a ombudsman da Folha de S.Paulo , Vera Guimarães Martins, criticou o fato de o noticiário político ser alimentado por fontes anônimas que relatam declarações de terceiros e sem provas ao mencionar a repercussão da reportagem da revista Veja.
Crédito:Reprodução Ombudsman criticou repercussão de denúncia não comprovada pela "Veja"
"A imprensa navegou como nunca na mesma maré. A busca do furo e do protagonismo jornalístico fez os veículos esgarçarem seus critérios, dando enorme publicidade a acusações que só poderão ser comprovadas no futuro. Se é que o serão", pondera.
Vera menciona como exceção a notícia sobre a pista de pouso pavimentada pelo então governador Aécio Neves em terras de parentes. Fato provado, documentado e noticiado pela Folha em julho deste ano.
Crédito:Reprodução Para Vera Guimarães, denúncias sem provas são temerárias para o jornalismo
"Não quero desmerecer o esforço dos repórteres da área, que suam para apurar o conteúdo de depoimentos que deveriam ser secretos. O problema é que a natureza sigilosa da apuração dá a algumas fontes um poder enorme, que não deveria ser concedido a ninguém: o de anonimamente vazar o que lhes convém, sem obrigação de apresentar provas", acrescenta.
A ombudsman classifica ainda a declaração do doleiro Alberto Youssef como a "mais barulhenta das acusações". Segundo reportagem da revista Veja divulgada no último dia 24 de outubro , o político havia dito que a presidente Dilma Rousseff (PT) e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, sabiam sobre o esquema de corrupção na Petrobras.
De acordo com Vera, a Folha deu manchete para o caso depois de confirmar com duas fontes que o doleiro havia realmente feito a declaração. Posição que qualificou como "correta", mas que não livrou o jornal da fragilidade de acusação baseada em declaratório sem provas.
A Secretaria de Redação não analisou como fragilidade e afirmou que o jornal publica todas as informações que considera relevantes, independente do calendário eleitoral. Vera reiterou que a decisão de publicar ou não as denúncias não é simples e questionou a opinião do leitor.

"Sugiro o dilema: você, leitor, publicaria, mesmo com as deficiências aqui expostas, ou preferiria abrir mão, enfrentando suspeitas de ter se omitido para beneficiar este ou aquele candidato?", finaliza.
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