Ombudsman da "Folha" critica cobertura no caso Zelotes; RBS nega irregularidades
A ombudsman da Folha de S.Paulo, Vera Guimarães Martins, criticou em texto publicado no último domingo (5/4) a falta de aprofundamento no caso Zelotes no jornal.
Atualizado em 06/04/2015 às 09:04, por
Redação Portal IMPRENSA.
S.Paulo , Vera Guimarães Martins, criticou em texto publicado no último domingo (5/4) a falta de aprofundamento no caso Zelotes no jornal. Deflagrada no fim de março, a Operação da Polícia Federal investiga um dos maiores esquemas de sonegação fiscal já descobertos no país. Há a suspeita de que quadrilhas atuavam junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado ao Ministério da Fazenda, para reverter ou anular multas.
Crédito:Divulgação Grupo RBS nega envolvimento em fraude fiscal
O nome Zelotes vem do adjetivo zelote e refere-se àquele que finge ter zelo. O termo faz alusão ao contraste entre a função dos conselheiros do Carf de resguardar os cofres públicos e os eventuais desvios. De acordo com a PF, o esquema já provocou prejuízos de ao menos R$ 6 bilhões, e pode chegar a R$ 19 bilhões. Na lista de casos investigados está o grupo de comunicação gaúcho RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul.
Vera relembra que apenas na última quinta-feira (2/4), uma semana após o início, a Operação foi levada à manchete na Folha . Porém, um dia após ser deflagrado, o esquema rendeu espaço em destaque nos principais concorrentes, enquanto a publicação se limitou a uma chamada "modesta". "O furo mais importante até agora, a lista de grandes empresas investigadas, foi obra da concorrência", observou.
"Ainda que movimente enormes somas, um esquema de sonegação fiscal como esse pode não ter o apelo midiático explosivo do escândalo da Lava Jato, que se espraia por partidos e políticos do primeiro escalão da República. É um erro, contudo, menosprezar sua importância", opinou a jornalista.
O Grupo RBS
Ao todo, 74 processos devem ser analisados pela PF. Segundo a Folha , para o Ministério Público, até o momento, um dos casos em que há indícios mais fortes de eventuais irregularidades é o da RBS.
O grupo informou, em , que desconhece a investigação e negou qualquer ilegalidade nas relações com Receita Federal. A empresa acrescentou que confia na atuação das instituições responsáveis pela apuração para o devido esclarecimento dos fatos.
Fenaj e sindicatos do sul do país pedem transparência A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e os sindicatos dos Jornalistas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul solicitaram às autoridades transparência e agilidade nas investigações sobre o caso.
As entidades lembram que a RBS possui um histórico de condenações na Justiça do Trabalho por não respeitar os direitos dos funcionários e o evolvimento do grupo no caso SwissLeaks, juntamente a outras empresas de comunicação do país.
"Uma situação no mínimo constrangedora, mas acima de tudo reveladora sobre os interesses particulares dos donos dos veículos de comunicação. Ao mesmo tempo em que fazem discursos em favor da ética nos negócios e na sociedade, veem-se envolvidos em escândalos que não diferem daqueles que costumam denunciar com grande destaque, sem levar em consideração se as provas são frágeis ou se atendem a interesses de grupos, de classe ou de segmentos da sociedade mais interessados em obter vantagens políticas e financeiras", ponderaram.
Para as entidades, os casos demonstram a necessidade da democratização da comunicação no país, "para que a sociedade não se torne refém de grupos empresariais que querem impor uma agenda particular, que nem sempre é baseada no interesse comum".
Crédito:Divulgação Grupo RBS nega envolvimento em fraude fiscal
O nome Zelotes vem do adjetivo zelote e refere-se àquele que finge ter zelo. O termo faz alusão ao contraste entre a função dos conselheiros do Carf de resguardar os cofres públicos e os eventuais desvios. De acordo com a PF, o esquema já provocou prejuízos de ao menos R$ 6 bilhões, e pode chegar a R$ 19 bilhões. Na lista de casos investigados está o grupo de comunicação gaúcho RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul.
Vera relembra que apenas na última quinta-feira (2/4), uma semana após o início, a Operação foi levada à manchete na Folha . Porém, um dia após ser deflagrado, o esquema rendeu espaço em destaque nos principais concorrentes, enquanto a publicação se limitou a uma chamada "modesta". "O furo mais importante até agora, a lista de grandes empresas investigadas, foi obra da concorrência", observou.
"Ainda que movimente enormes somas, um esquema de sonegação fiscal como esse pode não ter o apelo midiático explosivo do escândalo da Lava Jato, que se espraia por partidos e políticos do primeiro escalão da República. É um erro, contudo, menosprezar sua importância", opinou a jornalista.
O Grupo RBS
Ao todo, 74 processos devem ser analisados pela PF. Segundo a Folha , para o Ministério Público, até o momento, um dos casos em que há indícios mais fortes de eventuais irregularidades é o da RBS.
O grupo informou, em , que desconhece a investigação e negou qualquer ilegalidade nas relações com Receita Federal. A empresa acrescentou que confia na atuação das instituições responsáveis pela apuração para o devido esclarecimento dos fatos.
Fenaj e sindicatos do sul do país pedem transparência A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e os sindicatos dos Jornalistas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul solicitaram às autoridades transparência e agilidade nas investigações sobre o caso.
As entidades lembram que a RBS possui um histórico de condenações na Justiça do Trabalho por não respeitar os direitos dos funcionários e o evolvimento do grupo no caso SwissLeaks, juntamente a outras empresas de comunicação do país.
"Uma situação no mínimo constrangedora, mas acima de tudo reveladora sobre os interesses particulares dos donos dos veículos de comunicação. Ao mesmo tempo em que fazem discursos em favor da ética nos negócios e na sociedade, veem-se envolvidos em escândalos que não diferem daqueles que costumam denunciar com grande destaque, sem levar em consideração se as provas são frágeis ou se atendem a interesses de grupos, de classe ou de segmentos da sociedade mais interessados em obter vantagens políticas e financeiras", ponderaram.
Para as entidades, os casos demonstram a necessidade da democratização da comunicação no país, "para que a sociedade não se torne refém de grupos empresariais que querem impor uma agenda particular, que nem sempre é baseada no interesse comum".





