Ombudsman critica "Folha" pela forma como noticiou declarações de delator

A ombudsman da Folha de S.Paulo, Vera Guimarães Martins, questionou no último domingo (18/10), a maneira como o jornal noticiou a reportagem "Delator diz ter repassado R$ 2 mi para nora de Lula".

Atualizado em 19/10/2015 às 11:10, por Redação Portal IMPRENSA.

, Vera Guimarães Martins, questionou no último domingo (18/10), a maneira como o jornal noticiou a reportagem "Delator diz ter repassado R$ 2 mi para nora de Lula".

Crédito:reprodução A jornalista questionou a matéria "Delator diz ter repassado R$ 2 mi para nora de Lula".
"A Folha já foi além das tamancas na última sexta (16) ao cravar a manchete 'Delator diz ter repassado R$ 2 mi para nora de Lula'. Primeiro, porque não foi isso que Fernando Baiano disse", .
A jornalista ponderou que o lobista disse ter repassado o dinheiro a José Carlos Bumlai, que teria pedido em nome de uma das noras de Lula. "Só com isso, não é possível saber se o pecuarista foi pombo-correio ou se usou o valioso nome do amigo para inflar seu butim", acrescentou.
Para ela, houve um problema de "títulos 'esquentados': o impacto inicial não correspondido deixa a reportagem com cara de bala de festim". A ombudsman também cita o comentário de um leitor que classificou de "disse-me-disse".
"É só um disse-me-disse danado, em que um delator declara que alguém disse que o dinheiro seria para uma certa nora, não se sabe qual. É nisso que eu tenho, há mais de 50 anos, investido o meu dinheiro?", escreveu.
De acordo com ela, a Direção de Redação não acredita que o jornal "avançou o sinal". "As declarações foram prestadas à Justiça num acordo de delação premiada; não nos parece justo qualificar de disse-me-disse".