Oficina voluntária de jornalismo ajuda na capacitação de jovens na periferia de SP
Acreditar em uma comunidade e contribuir compartilhando conhecimento faz parte da pauta de Amanda Rahra e Nina Weingrill. As jornalistas ajudam jovens da periferia a se capacitarem com aulas sobre técnicas jornalísticas para a produção de comunicação regional.
A iniciativa resultou na criação da Énois – Agência Escola de Conteúdo Jovem, projeto que começou em 2009, quando Amanda e Nina conheceram uma ONG no Capão Redondo, bairro da periferia de São Paulo, e receberam um convite para oferecer aos jovens uma oficina voluntária de jornalismo local com o intuito de produzir um fanzine, que mais tarde, tornou-se uma revista para a comunidade.
“Criamos uma oficina de jornalismo na Casa do Zezinho, onde surgiu a revista Zzine . Eram 5 mil exemplares a cada seis meses. Desde então, produzimos conteúdo a partir da inteligência jovem”, conta Amanda Rahra.
O projeto deu vida a mais duas revistas: a Zzine na Copa , que cobriu um campeonato de futebol regional em parceira com uma empresa telefônica; e a Na Responsa , que aborda o consumo consciente de álcool, essa em associação com a Ambev. A tiragem chega aos 10 mil exemplares e é distribuída gratuitamente.
Os alunos que constroem a rede são de vários bairros da periferia de São Paulo, como São Miguel Paulista, Heliópolis, Jardim Ângela, Capão Redondo e Brasilândia. A agência também produz conteúdo para o Cultura de Ponta, do Catraca Livre. As reportagens retratam o que acontece na periferia.
A jornalista diz que os jovens são reconhecidos na comunidade como repórteres e que as pautas favoritas são as relacionadas com o cotidiano de cada um. Drogas, sexo, mercado de trabalho e educação estão entre elas. “O que une todas as pautas desses jovens é o desejo de se expressar”, explica.
Amanda acredita que o jornalismo oferece aos jovens a oportunidade de criar um diálogo com a sociedade e abrir um espaço para dar voz à comunidade. Para ela, a mídia tradicional não sabe como reportar os fatos da periferia. “A mídia tradicional apresenta dois problemas: o primeiro é a falta de diálogo com os jovens e, o segundo é a periferia. A mídia é da elite. Falta o compartilhamento das diferenças”, declara.
A dupla pretende expandir o projeto para o Brasil inteiro. Em setembro será lançada uma plataforma de ensino a distância. “Pretendemos continuar produzindo conteúdo e ao mesmo tempo inovar na área”, afirma. As jornalistas visam investimentos não só em canais de comunicação, como revistas, sites, programas de rádio e TV, como também, fortalecer o projeto como um movimento de mídia livre. “Queremos descobrir coisas da cidade que o jovem precisa saber. Nosso objetivo é ‘hackear’ a cidade, encontrar coisas novas e cada vez mais abrir um diálogo”, completa.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





