“O Sermão dos Dados e os Falsos Profetas”, por Marcelo Molnar

As fake news de hoje, são os falsos profetas do passado. Estamos no cume da era digital. Encontramo-nos em um ponto elevado, onde a vista se

Atualizado em 17/10/2023 às 09:10, por Marcelo Molnar.

Opinião

estende até os confins de um mundo saturado de dados. Os profissionais de comunicação, guardiões escolhidos e treinados na transmissão de conhecimento, enfrentam uma tempestade incessante de informações. Um dilúvio que promete a sabedoria, mas também ameaça submergir e confundir a própria essência da compreensão humana.


Imagine, por um momento, como o mundo funcionava décadas atrás. Sempre existiram artesãos da palavra e do pensamento, cuja sabedoria fluía não de um oceano tempestuoso de dados, mas de riachos escolhidos de informação, cada um com uma corrente clara e definida, discernida pela qualidade, não pela quantidade. Como alpinistas experientes, sabemos que a escalada para o pico do entendimento não é conquistada pela velocidade com que se ascende, mas pela capacidade de se agarrar firmemente às rochas do contexto e relevância, reconhecendo que o caminho para a verdadeira sabedoria é uma jornada ponderada e, acima de tudo, humana.


No entanto, o terreno que pisamos é traiçoeiro. Aqueles que buscam a verdade e o entendimento na inteligência artificial devem agora acompanhar uma paisagem que se transforma constantemente sob o peso das revoluções. A tentação de se apressar, de consumir cada fragmento de dados como se fosse um grão de uma verdade maior, é um eco do passado que ressoa no presente. Sabemos que a rota mais rápida pode levar a uma queda perigosa, e precisamos reconhecer que a velocidade e a voracidade, não substituem a visão e a veracidade.


Considere a parábola do semeador, que, em sua pressa, semeia sementes não apenas no solo fértil, mas também entre pedras e espinhos. As sementes que caem em terreno pedregoso, embora brotem rapidamente, murcham sob o sol do escrutínio, pois não têm raízes na verdade. Da mesma forma, as informações que são rapidamente consumidas e igualmente divulgadas, sem o devido cuidado e consideração, logo se revelam falhas sob o olhar atento da análise crítica.


Crédito:Reprodução

Em contraste, as sementes que caem em solo fértil germinam e crescem, produzindo uma colheita que multiplica a semente original muitas vezes. De igual modo, a informação que é considerada, compreendida e contextualizada, que é dada o tempo para germinar no solo fértil da mente inquisitiva, produz insights e entendimentos que são exponencialmente mais valiosos do que a soma de suas partes. Neste mundo de abundância, a verdadeira inovação na comunicação não vem de novas maneiras de acumular informações, mas de novas abordagens para discernir a sabedoria dentro delas.


Aprender a reconhecer a importância do crescimento sustentável, requer uma rejeição do medo de perder algo em favor da busca pela qualidade, profundidade e significado. Precisamos ter a coragem e parar de pedir mais do que a capacidade de análise e reflexão. Em vez de tentar acompanhar cada nova tendência nas redes sociais, precisamos optar por definir fontes específicas, entendendo seus valores, preocupações e dinâmicas. No lugar de saltar de manchete em manchete, tópico em tópico, título em título, precisamos de dados que ressoam em um nível mais profundo.


Devemos usar a tecnologia não para aumentar a velocidade de consumo, mas para aprimorar a qualidade da compreensão. Ferramentas analíticas devem ajudar a identificar padrões e insights, onde o verdadeiro valor vem de usar novos conhecimentos para construir narrativas que falam ao intelecto e ao coração humano. Profissionais da comunicação não devem ser meros transmissores, mas tradutores de sabedoria. Não devem ser apenas rápidos e acumuladores, mas deliberados e perspicazes. Precisamos encontrar o caminho que nos leve através da tempestade de informações, para o espaço onde as verdadeiras conexões são feitas e a compreensão é encontrada.


A mentira está presente desde o início dos tempos. Prósperos os que se preocupam em escolher boas fontes, e não absorver qualquer dado como aceitável. Assim, devemos olhar para o horizonte não com o desejo de sobrecarga, mas com visões de múltiplos cenários. Em cada grão de boa informação, existe o potencial para um insight que pode transformar o mundo e abrir nossas mentes. Essa jornada começa com a coragem de rejeitar o ruído, de refinar o pensamento e de caminhar deliberadamente em direção à verdade que ressoa não em ecos vazios, mas em harmonia profunda com a experiência humana.



Crédito:Arquivo Pessoal

* é formado em Química Industrial, com pós graduação em Marketing e Publicidade. Experiência de 18 anos no mercado da Tecnologia da Informação, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Criador do processo ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de sua relação emocional com seus consumidores. Coautor do livro "O segredo de Ebbinghaus". Atualmente é Sócio Diretor da Boxnet.