O repórter Carlos Maglio fala sobre o desafio de transmitir o carnaval pelo rádio

O repórter Carlos Maglio fala sobre o desafio de transmitir o carnaval pelo rádio

Atualizado em 07/02/2005 às 05:02, por Renato Barreiros e  Camarote do Bar Brahma.

O jornalista Carlos Maglio da Rádio Globo/CBN já é um veterano na cobertura do carnaval de São Paulo e conta como é transmitir o desfile pelo rádio

Imprensa - Quanto tempo faz que você cobre o carnaval de São Paulo?

CM - Aqui em São Paulo já são 12 anos, já é um tempo razoável, pois o sambódromo aqui ainda não existia e o desfile era feito na Avenida São João, só depois é que o sambódromo foi inaugurado e ai o carnaval de São Paulo ganhou um destaque a nível nacional que até então não tinha.

Imprensa - Nesses anos todos, qual foi a principal evolução na cobertura do carnaval?

CM - A grande arrancada do carnaval de São Paulo foi com a entrada da televisão transmitindo o desfile ao vivo, não só para São Paulo e para o resto do país mas também para outros países, isso fez com que o carnaval do Brasil começasse a ser visto desde São Paulo. Se você analisar a nível internacional as primeiras imagens que chegaram lá fora foram as imagens do sambódromo paulistano.

Imprensa - Qual a principal diferença entre o carnaval de São Paulo e o carnaval do Rio de Janeiro?

CM - Acho que não cabe qualquer comparação com o carnaval do Rio de Janeiro, o carnaval no Rio de Janeiro é incomparável, é uma questão de extensão, o carnaval lá no Rio tem uma extensão muito maior, e o turismo lá é o que leva a que esse carnaval seja cada vez maior, cada vez mais bonito.

Imprensa - Qual a particularidade da cobertura do carnaval para o rádio?

CM - Não parece, mas é complicado você fazer o carnaval para o rádio, porque na verdade o grande lance do carnaval são as imagens e é na televisão, no jornal e nas revistas que você consegue ver, então no rádio você tem que fazer o carnaval tentando descrever aquilo que está passando na avenida naquele momento.

Também em comparação com a televisão a sua audiência é diferenciada pois você vai falar para o porteiro que está no edifício trabalhando, para o taxista que está dirigindo pela cidade e para quem vive lá nos mais longínquos locais onde não há energia elétrica, mas tem sempre alguém com um radinho de pilha querendo ouvir o carnaval.

Isso para o repórter se torna um desafio, não adianta ele somente dizer que a escola está bonita, porque fica num vazio tremendo, por isso você tem que descrever o máximo possível e procurar trazer os diferentes nuances do carnaval, é o caso por exemplo das personalidades, você tem que sempre fazer uma entrevista com alguma personalidade dando um pouquinho de ilustração do que está acontecendo nos camarotes, tem que procurar uma história bem mais detalhada da escola de samba e do samba enredo para não ficar naquela mesmice, enfim para mim esse é o maior desafio.