O rei está nu, por Rodrigo Viana
Ele conquistou tudo. Nosso personagem iniciou sua carreira na equipe esportiva da Rádio Rio Preto, interior de São Paulo, em 1958, fim da era de ouro do rádio brasileiro.
Astuto, foi repórter, apresentador, produtor e chefe do Departamento Esportivo da TV Globo, junto com Osmar Santos, maior nome da história recente do Rádio Esportivo Brasileiro. Teve ainda uma passagem pela TV Record e atuou como colunista de vários jornais.
Mas era pouco. O jornalista trocou as redações pelo mundo do empreendedorismo. Em 1980, fundou a Traffic Sports – em inglês Tráfego Esportivo. A empresa fez do nosso rei uma das figuras mais influentes do país. Começou a vender publicidade estática e cresceu demais.
Daí para a compra dos direitos de transmissão foi um pulo. Em pouco tempo, a empresa tornou-se responsável pelo marketing da CBF e da Seleção Brasileira de Futebol. Virou também detentora dos direitos comerciais da Copa América, Copa Mercosul, torneios pré-olímpicos, campeonatos sul-americanos sub-17 e sub-20.
A Traffic tem imensa influência no meio futebolístico. Em 1996, intermediou o acordo de materiais esportivos entre a seleção brasileira e a Nike. Anos mais tarde, colaborou com a organização do primeiro Mundial de Clubes da Fifa, em 2000. A empresa também gerencia jogadores e clubes. Mas tudo era pouco. O Rei queria o reinado todo.
Criou a TV7, produtora de vídeo com sede em São Paulo, e depois tirou o coelho da cartola. Comprou quatro emissoras afiliadas da TV Globo. A TV TEM – sigla de Traffic Entretenimento e Marketing – é uma rede de televisão com emissoras em quatro cidades do interior paulista: São José do Rio Preto, Bauru, Sorocaba e Itapetininga, afiliadas à Rede Globo. Também se tornou proprietário da rede de jornais Bom Dia, com circulação simultânea em São José do Rio Preto, Jundiaí, Sorocaba, Fernandópolis e ABC. Mas todo apogeu tem sua queda.
Esta IMPRENSA trouxe a notícia de que J. Hawilla disse que as propinas eram necessárias para garantir contratos de direitos de marketing à Traffic. O jornalista admitiu ser “culpado” pelas acusações, apontou que o pagamento das propinas começou em 1991 e que a CBF recebeu parte do suborno. Depois de detalhar o esquema, Hawilla reconheceu o crime e se desculpou. “Eu sabia que essa conduta era errada. Eu me arrependo muito e peço desculpas pelo que fiz”, afirmou.
O jornalista fez um acordo de cooperação com a Justiça dos Estados Unidos em março de 2014 e, de acordo com os documentos, ele concordou em devolver US$ 151 milhões obtidos em receita somente em dois anos – 2012 e 2013. Ele ainda venderia sua participação na Traffic. “O Rei Está Nu” é um conto que trata da vaidade humana. Quanto maior a vaidade, mais tolos nos tornamos. Ninguém sabe onde vão parar as investigações do FBI no mundo do futebol. Mas já desnudaram um dos reis. Um jornalista vaidoso.






