"O rádio sempre teve a cabeça aberta", diz Gilberto Sudré da CBN
Roquete Pinto não deixou somente seu nome registrado na história da comunicação brasileira. Considerado o "pai do rádio" no Brasil
Roquete Pinto não deixou somente seu nome registrado na história da comunicação brasileira. Considerado o "pai do rádio" no Brasil, o dia do aniversário de Roquete (25 de setembro) foi escolhido para marcar a comemoração. Com história que parte da década de 20, o rádio já passou por altos e baixos. Cada nova mídia que surgia com os adventos da tecnologia era uma preocupação para quem apostava no AM e FM. Os boatos apontavam dia, mês e ano certo para o desaparecimento do rádio, que, hoje, beirando os seus 90 anos, continua firme.
"O rádio é o único meio pelo qual você pode consumir notícia fazendo outra coisa", lembra Tatiana Vasconcellos, âncora da BandNews. E não é só essa característica marcante que mantém o rádio na posição atual. Tatiana comenta que apesar das mudanças, a maneira de fazer rádio e o jornalismo para essa mídia não mudaram. "O que mudou foi o alcance, mas ninguém faz jornalismo diferente só porque hoje você pode ouvir a rádio na internet ou no celular".
Comentarista de tecnologia da rádio CBN de Vitória, Gilberto Sudré diz que o momento atual é reflexo da postura que o rádio adotou em relação às novas tecnologias. "O rádio sempre esteve em busca de coisas novas e sempre manteve a cabeça aberta, lidando, assim, muito bem com as novas tecnologias e mídias que foram surgindo". Os pontos positivos não demoraram a aparecer. "Temos os ouvintes que vão trabalhar de carro e ouvem a programação. Quando o rádio foi para o celular, passamos a atingir também àqueles que vão de ônibus", pontua Tatiana.
Além dos pontos, a tecnologia trouxe ainda mais interatividade para o rádio. Ligado às novas invenções do mundo digital, Sudré não hesita ao mostrar que a junção das mídias beneficiou "muito". "Antes, um ouvinte interagia por telefone durante a programação. Hoje, você pode ter vários por meio da internet. É tudo mais ágil". Além disso, explica ele, "diferentemente de alguns anos, o ouvinte não precisa estar com o rádio 24 horas por dia ligado se não quiser perder a programação. Hoje, ele tem a oportunidade de ouvir pela internet depois, sem perder o conteúdo".
De um lado ou de outro, Tatiana reforça que o importante é se aproximar do ouvinte, e por uma razão simples: "estamos falando dele para ele". Ela afirma que o público sugere diversas pautas, manda e-mails e liga fazendo denúncias. "O ouvinte faz parte da rádio e é preciso ouvi-lo. Talvez isso se perdeu um pouco em outras rádios", completa. Segundo Sudre, alguns ouvintes da CBN Vitória já são até conhecidos. "Esse público é muito próximo". Ágil e imediatista, o rádio soube jogar no mercado e apostar nos adventos da tecnologia, levando para os ouvintes ainda mais benefícios. E sem perder seus traços.
* Com supervisão de Gustavo Ferrari
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