"O que sai na grande mídia não nos interessa", afirma diretor do jornal judaico ALEF
"O que sai na grande mídia não nos interessa", afirma diretor do jornal judaico ALEF
"O que sai na grande mídia não nos interessa", afirma diretor do jornal judaico ALEF
Por| Divulgação |
| Mauro Wainstock |
Lançado em 1995, o jornal judaico ALEF , produzido no Rio de Janeiro e distribuído para mais de 65 mil assinantes em 16 países, foi criado com o objetivo de atender a comunidade judaica no Brasil, que soma cerca de 120 mil membros. Com versão impressa mensal e outra virtual a publicação já chegou a 1.500 edições. Seu foco é direcionado a tratar de notícias sobre o mundo judaico e o Estado de Israel. Algo necessário, já que na opinião do diretor do jornal, Mauro Wainstock, a grande mídia geralmente cobre Israel de forma polêmica ou com um viés determinado. "Nosso objetivo com esta publicação é reunir informações para os judeus e as entidades judaicas de forma plural, democrática e apolítica", diz ele.
Wainstock conversou com o Portal Imprensa sobre a importância de criar um jornal especifico para a comunidade produzindo informações que nem sempre são supridas pelos grandes meios. Uma tendência crescente no Brasil conforme tratado na revista IMPRENSA, edição 261, Outubro de 2010, em matéria que fala sobre o crescimento de jornais de colônia no Brasil.
IMPRENSA - Como surgiu o Jornal ALEF, qual foi seu propósito?
Wainstock - Muitas instituições judaicas, como sinagogas e escolas possuem um veículo próprio que atinge seus membros, mas elas também divulgam suas atividades no Jornal ALEF , pois, além da tiragem ser muito superior, elas "falam" com toda a comunidade judaica. E assim participam com mais integração da vida comunitária. Também procuramos transmitir o "outro lado" das questões que envolvem Israel na mídia e valorizar fatos positivos sobre Israel, que raramente encontram respaldo na grande imprensa. Como as inúmeras descobertas científicas e tecnológicas e o caráter de solidariedade do povo judeu.
IMPRENSA - Que público ele busca atingir e que tipo de informação e serviço pretende fornecer?
Wainstock - Temos muito cuidado com cada vírgula que divulgamos. A palavra "credibilidade" é o que norteia o nosso dia a dia. E este trabalho vem sendo reconhecido: o Jornal ALEF já foi congratulado pelo ex-presidente Lula, pelo governador Sergio Cabral, entre várias autoridades, e vem colecionando prêmios dentro e fora da comunidade judaica. Para nosso orgulho, recebemos manifestação expressa da ONU que qualificou o nosso jornal como "fonte de referência séria para veículos nacionais e internacionais". E, entre eles, está o francês Le Monde, com mais de dois milhões de leitores que frequentemente reproduz reportagens publicadas no Jornal ALEF .
IMPRENSA - Atualmente qual o tamanho da colônia judaica que ele atende?
Wainstock - Estimamos que a comunidade judaica brasileira possua em torno de 120 mil membros. Porém, além deles, temos muitos assinantes espalhados pelo mundo. São judeus e não judeus que residem em outros países e que se interessam em receber notícias e artigos sobre o mundo judaico e sobre o Estado de Israel. É interessante porque, além das notícias, das entrevistas e dos textos analíticos, também divulgamos notas sociais, o que gera uma enorme leitura.
IMPRENSA - Qual a importância de ter um veículo de comunicação voltado para uma colônia?
Wainstock - Realizamos este trabalho com grande orgulho e satisfação. Sendo um público segmentado, recebemos "feedback" diário. Ainda mais na comunidade judaica onde, de alguma forma, todos são parentes ou amigos. Ela possui características bem definidas: é bastante unida, forma importantes redes de contato e dá grande importância às raízes, ao quesito identidade e à aceitação social. Assim, estabelece fortes vínculos com instituições comunitárias, reforçando o trinômio: ações de solidariedade = fortalecimento comunitário = sentimento de pertencer ao grupo. A comunidade funciona como um elemento que confere credibilidade ao produto ou serviço adquirido, fator tão importante e valorizado pelo anunciante.
IMPRENSA - O alto índice de leitura, principalmente de jornais, dos israelenses em sua terra natal também acontece aqui?
Wainstock- Sim, seja porque divulgamos notas sociais que interessam a todos, já que os próprios leitores são muitas vezes os protagonistas delas, ou seja, pelos textos que publicamos muitas vezes inéditos, polêmicos, mas que sempre transmitem algo de novo. O que sai na grande mídia normalmente não nos interessa. Queremos notícias inovadoras, que tenham um "algo a mais". O alto índice de leitura é apenas consequência desta busca pelo diferente. Por isto também somos replicados a todo o momento, o que gera mais e mais leitores, muitos dos quais sem o nosso conhecimento.
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