O que foi, será?!, por Paula Freitas*, estudante da Unifae

O que foi, será?!, por Paula Freitas*, estudante da Unifae

Atualizado em 22/09/2008 às 19:09, por Paula Freitas* e  estudante de Jornalismo da Unifae.

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O que foi, Joaquim? - perguntou ele, pálido e estonteado, depois de uma noite mais que humana. Sabe-se lá quem sou eu no meio disso tudo, sabe-se lá que vida é essa e que medo se tem - responde Joaquim a Adílo Toro. Adílo, assustado com a crueza da sensibilidade humana e a destreza enganatória de seus paradoxos pergunta novamente: - O que foi, Joaquim? Joaquim nunca antes houvera se portado de tal forma. Já disse, porra, disse que não sei. - O que não sabe? - Não sei o que sei. Quem és tu, no meio disso tudo?

- Eu não sei quem sou, será que saberemos?! E se ser não for nada ou tudo, nunca se será mais que um nada tentando ser algo pertencente à amplitude catastrófica e inerente do tudo. Ajudem-nos a nos encontrar, alguém que veja isto por fora. Quem enxergará a vida por outra nuance, quem abdicará das estapeantes paixonites que guiam a estadia terrestre? E, será que tantas perguntas pairando o céu de volúpia do desconhecido ajudarão em algo, que não seja um embaçamento maior dessa vista, naturalmente torpe?

A relatividade de opiniões e fatos me aflige, embora eu continue acreditando que elas, embora tênues, mas discrepantes, se dirijam pra um mesmo ponto de encontro. A questão é: que lugar é esse? Filosofias amadoras e noturnas não alimentam seres humanos subnutridos que vivem dez trilhões de vezes abaixo dos níveis considerados miseráveis. - Caramba, alguém salve a Rainha! Que eu parei de dormir pra escrever, mesmo que eu tenha idéias melhores dormindo a acordada.

Clarissa chega. - Quem é? - Clarissa. - Oi Clarissa. - Oi família. O dia não foi bom, eu não amei quem tinha que ter amado e não me permiti beber coca-cola normal porque o peso na consciência é muito grande depois. Então não me perguntem se estou bem, porque a resposta será um NÃO curto e tosco. [Silêncio]. Cof Cof. Alguém tossindo na cozinha, talvez seja o Lilu, o tio paranóico e tuberculoso que decidiu virar bolchevique aos três anos de idade ao assistir a um discurso político do Trótsky. Aos quinze já tinha barba igual a do Che e aos 16 fodia garotinhas defendendo o comunismo sexual.

Agora estava lá, sentado à mesa, sem perspectivas, aidético sifilítico e tuberculoso. E ainda por cima, chato. É, um comunista que literalmente comia criancinhas. E chato. VIBP: very important boring person. Clarissa continuava mal-humorada por não ter pedido pra ficar com o tiozinho da empada, e João [seu ex] continuava a azucrinar-lhe a vida atestando mil amores decorados de novela mexicana das sete. Ao menos, ele era tão sincero quanto o Carlos Manoel [ou Eduardo] ao afirmar que ela era mais bela que a lua, o sol e os ETs de marte todos juntos. Era um tosco, isso sim. Risos.

- Alguém já salvou a Rainha? Temo pela a vida dela. Assim como temo pelos inúmeros riscos da expressão, embora sem ela eu não consiga viver de acordo com meus próprios sentidos. Caramba de vida louca essa, né não?! Caraaamba. E os malandros que o digam. E eu digo VIVA. Digo viva ao paradoxo generalizado humano. Mas digo MORRA àquele que jamais se pôs na condição do outro a respeito de si mesmo. Viva, viva. Viva a sociedade alternativa.

*Paula Freitas é estudante de Jornalismo das Faculdades Associadas de Ensino (Unifae), em São João da Boa Vista (SP). Contato: