“O que faz um repórter ser bom não mudou com a chegada da tecnologia”, diz Pedro Doria
O surgimento da internet abriu um novo caminho para os repórteres encontrarem fontes de informação, e de quebra, pautas com base nas discussões nas redes sociais e em banco de dados públicos e privados.
Atualizado em 17/11/2014 às 20:11, por
Danúbia Paraizo.
Por outro lado, a credibilidade da imprensa é constantemente testada diante das notícias falsas disseminadas na rede.
Durante a terceira edição do seminário internacional de comunicação mídia.JOR, nesta segunda-feira (17/11), o jornalista Pedro Doria, editor executivo do jornal O Globo , falou com exclusividade à IMPRENSA sobre a importância do chamado Big Data e como utilizar ferramentas de pesquisa para obter pautas exclusivas.
Crédito:Danúbia Guimarães Pedro Dória, editor executivo de "O Globo"
IMPRENSA: Como o jornal O Globo trabalha a questão do Big Data?
Pedro Doria: Nós contamos com um núcleo novo de jornalismo de dados que é gerenciado pelos jornalistas Fábio Vasconcellos e Gabriela Allegro. A Gabi tem uma paciência incrível de unificar dados e encontrar cruzamentos possíveis. Já o Fábio reúne sua experiência como jornalista e cientista político. É um cara muito sofisticado em estatísticas. Juntos eles têm a missão de dar apoio a redação em pautas especiais, além de propor pautas novas. Além disso, vários jornalistas no jornal, como o Antônio Gois, por exemplo, editor adjunto de Nacional, trabalham com big data. O Gois é um baita repórter de educação, e conhece dados do IBGE com muita profundadidade. O uso de banco de dados era muito raro, mas fará parte da rotina das redações. Daqui 3 ou 4 anos será habito para todo jornalista.
Como encontrar novas pautas e fontes de confiança diante de tantas informações soltas na internet?
O espírito crítico, habilidade de observação, essas e outras características não mudaram porque apareceu a internet. O que faz um repórter ser bom não mudou com a chegada da tecnologia. Uma das qualidades mais importantes que o jornalista tem que desenvolver é a capacidade de avaliar o que é uma boa ou má fonte. Isso é uma coisa que se aprende com o tempo. É evidente que há instituições que por si só trazem credibilidade que vem com sua tradição. Se for procurar um professor de medicina da USP eu te garanto que ele deve saber muito do que eles está falando.
O valor institucional é algo que você deve levar em consideração. Agora, quando a gente busca indivíduos é preciso tentar entender e mapear qual é a história que a fonte tem com o tema. Se ela vai falar sobre determinado bairro e ela mora lá há mais de 20 anos, ela tem mais propriedade para falar do que eu que nunca estive lá.
E no caso de situações mais imediatas, como uma manifestação, por exemplo? Como comprovar a veracidade de fotos e vídeos?
Confirmar se um material multimídia é autentico é dificilímo. Isso é muito comum em manifestações no Oriente Médio. As pessoas compartilham na internet algumas críticas com material antigo contra Israel. Então, você no Facebook uma foto com crianças bombardeadas quando aquilo é na verdade um fragmento de guerra registrado três anos antes.
O que a gente faz com esse tipo de imagem é: se não foi capturado por um de nossos repórteres, a gente usa o conteúdo de grandes agências, como AFP, AP e EFE. Porque nós sabemos que eles têm grandes estruturas jornalísticas cobrindo e se responsabilizam pelo conteúdo.Eles aferiram a origem daquele vídeo ou foto. Se você não tem nenhum tipo de instituição que te garante que aquilo é verídico você não pode usar. É muito tentador você usar um material que parece espetacular. Parece de verdade. Mas credibilidade é aquele troço que demora anos para se construir e vai embora em dois segundos. Nosso trabalho é publicar o que é verdade antes de tudo.
Durante a terceira edição do seminário internacional de comunicação mídia.JOR, nesta segunda-feira (17/11), o jornalista Pedro Doria, editor executivo do jornal O Globo , falou com exclusividade à IMPRENSA sobre a importância do chamado Big Data e como utilizar ferramentas de pesquisa para obter pautas exclusivas.
Crédito:Danúbia Guimarães Pedro Dória, editor executivo de "O Globo"
IMPRENSA: Como o jornal O Globo trabalha a questão do Big Data?
Pedro Doria: Nós contamos com um núcleo novo de jornalismo de dados que é gerenciado pelos jornalistas Fábio Vasconcellos e Gabriela Allegro. A Gabi tem uma paciência incrível de unificar dados e encontrar cruzamentos possíveis. Já o Fábio reúne sua experiência como jornalista e cientista político. É um cara muito sofisticado em estatísticas. Juntos eles têm a missão de dar apoio a redação em pautas especiais, além de propor pautas novas. Além disso, vários jornalistas no jornal, como o Antônio Gois, por exemplo, editor adjunto de Nacional, trabalham com big data. O Gois é um baita repórter de educação, e conhece dados do IBGE com muita profundadidade. O uso de banco de dados era muito raro, mas fará parte da rotina das redações. Daqui 3 ou 4 anos será habito para todo jornalista.
Como encontrar novas pautas e fontes de confiança diante de tantas informações soltas na internet?
O espírito crítico, habilidade de observação, essas e outras características não mudaram porque apareceu a internet. O que faz um repórter ser bom não mudou com a chegada da tecnologia. Uma das qualidades mais importantes que o jornalista tem que desenvolver é a capacidade de avaliar o que é uma boa ou má fonte. Isso é uma coisa que se aprende com o tempo. É evidente que há instituições que por si só trazem credibilidade que vem com sua tradição. Se for procurar um professor de medicina da USP eu te garanto que ele deve saber muito do que eles está falando.
O valor institucional é algo que você deve levar em consideração. Agora, quando a gente busca indivíduos é preciso tentar entender e mapear qual é a história que a fonte tem com o tema. Se ela vai falar sobre determinado bairro e ela mora lá há mais de 20 anos, ela tem mais propriedade para falar do que eu que nunca estive lá.
E no caso de situações mais imediatas, como uma manifestação, por exemplo? Como comprovar a veracidade de fotos e vídeos?
Confirmar se um material multimídia é autentico é dificilímo. Isso é muito comum em manifestações no Oriente Médio. As pessoas compartilham na internet algumas críticas com material antigo contra Israel. Então, você no Facebook uma foto com crianças bombardeadas quando aquilo é na verdade um fragmento de guerra registrado três anos antes.
O que a gente faz com esse tipo de imagem é: se não foi capturado por um de nossos repórteres, a gente usa o conteúdo de grandes agências, como AFP, AP e EFE. Porque nós sabemos que eles têm grandes estruturas jornalísticas cobrindo e se responsabilizam pelo conteúdo.Eles aferiram a origem daquele vídeo ou foto. Se você não tem nenhum tipo de instituição que te garante que aquilo é verídico você não pode usar. É muito tentador você usar um material que parece espetacular. Parece de verdade. Mas credibilidade é aquele troço que demora anos para se construir e vai embora em dois segundos. Nosso trabalho é publicar o que é verdade antes de tudo.





