O peso da idade
O peso da idade
Pelo título até parece uma crônica sobre a velhice. Não chega ser diretamente por aí, mas no fundo pode ter até um pouco disso. Afinal, cada dia das nossas vidas hoje equivale a uns 6 meses das décadas de 50 e 60. O mundo corre numa velocidade impressionante e a tecnologia só ajuda esse fenômeno a se acentuar.
Acredito que todos já tiveram essa percepção, mas acontece que para nós comunicadores esse fardo é ainda maior. Podemos ficar obsoletos de uma semana para outra. O número de tecnologias que aparecem para comunicar é avassalador e começa a colocar em cheque o papel dos jornalistas e os caminhos da informação.
Já não sei mais enumerar todas as possibilidades que Orkut, MySpace, MSN, Skype, E-mail, FeedReaders, Facebook, Blogs, Fotologs, Videologs e, por fim e mais recente, o Twitter, podem nos dar, mas que está havendo uma verdadeira revolução silenciosa, a isso está.
Um exemplo? O próprio caso da morte do ator americano Heath Ledger pipocou entre os "twitters" do mundo, que passaram a notícia através seus microblogs, abastecidos via web, ou mais rapidamente com SMS do celular. É saber do fato, teclar e pronto, está no ar e já enviado para todos os amigos cadastrados. Jornal para quê?
Podemos até batizar essa onda de a Nova Comunicação ou Pós-Comunicação, sei lá.
Tem até já um site chamado onde o pessoal que usa o sistema assume o papel de repórter mesmo. Imagina se a moda pega?
Tenho tentado participar de tudo para conhecer, aprender e usar as novas tecnologias. Montei meu Orkut (quem quiser me procurar fique à vontade), também criei um MySpace com , onde por divertimento tenho colocado mais pensamentos e informações sobre música, numa forma muito embrionária; e nessa semana fiz um que já fiz funcionar via web, mas pelo SMS parece que a minha operadora, a Vivo, não ativa o que é preciso. Vou tentar descobrir um jeito para funcionar nos próximos dias.
Tudo isso sem falar em todos os outros badulaques que já uso. A grande questão que vem me afligido não é somente com usar a ferramenta, mas na verdade é para quê tudo isso? Como tirar proveito dessas possibilidades na comunicação empresarial? Tem como as empresas utilizarem, por exemplo, um Twitter de forma inteligente?
Ainda não tenho respostas para isso. Ando pesquisando muito e tentando achar alternativas, mas o fato é que os consumidores estão lá, se falando, trocando idéias, experiências, informações numa mídia totalmente paralela, que impacta provavelmente muito mais pessoas que os veículos tradicionais e de maneira muito rápida. Bem mais rápidas na verdade do que as empresas estão habituadas a trabalhar.
O estrago ainda não é maior porque quem domina essas ferramentas está abaixo dos nos 22 anos, mas na medida em que essa turma começar a se formar e ocupar o mercado de trabalho - virando formador de opinião de peso -, as diferenças culturais e a forma de buscar informações vão ficar cada vez mais latentes.
Uma prova disso tive numa reunião, essa semana, com um cliente do ramo da moda. É uma marca bem conhecida e com um apelo muito jovem. Foi um encontro de alinhamento estratégico para a marca, que reuniu a assessoria de imprensa, agência de publicidade, agência de below the line e todos os representantes de marketing da empresa.
Depois de muita conversa e idéias, cheguei a uma conclusão pessoal que todos os profissionais que estavam lá, apesar de toda a experiência - incluindo eu - estávamos meio desconexos do mundo real do consumidor da marca. Faltava uma experiência real, com o cliente de uma forma natural. Alguém que passe o que realmente está acontecendo, sem filtros de pesquisas ou enquetes.
Chegamos à conclusão que temos que ter um adolescente de 16 anos dentro da empresa para poder dar esse tom de realidade para o nosso trabalho. Alguém que explique esse mundo digital e como eles entendem isso. Afinal, eles nasceram com isso e as cabeças da comunicação hoje ainda são do tempo do meio-a-meio (metade com informática e metade sem). Tem gente que acha o e-mail a maior revolução...
Para esses novos consumidores blogueiros-twitteiros, o mundo só existe e existiu dessa maneira. Não há como a relação deles com consumo e informação seja igual ao que era no passado. Como se diz, é preciso dar um Refresh na maneira de pensar.
Não acredito que seja motivo de alarde e da decretação do fim das outras mídias. Já tiveram outros "profetas" no passado que "enterraram" os jornais, revistas e livros. Nada disso aconteceu e não acredito que vá acontecer um dia. A questão é que o fluxo e compreensão de fatos começam a ganhar novos rumos, moldando a opinião pública de uma forma diferente que a habitual.
Algumas empresas de comunicação já começaram a se movimentar para achar uma maneira de monitorar todos esses caminhos, mas não vi ainda acharem uma forma prática para utilizar essas informações e separar o que realmente é de importância, pois da mesma maneira que é fácil publicar algo importante, o lixo também transborda dessas redes sociais e blogs.
O que fazer? Da minha parte vou continuar fuçando e fuçando até achar um caminho, mesmo que achando que já estou passado para tudo isso (só para informação, tenho 33 anos, nem é tanto assim, mas parece uma eternidade perto da meninada que vejo por aí). Talvez não dê tempo de conhecer tudo antes de um novo gadget virtual aparecer por aí, mas esse é um risco que precisa ser corrido pela "nova comunicação".






