"O Perú Molhado" completa 34 anos tentando superar crise após a morte de seu fundador

A publicação está com dificuldades em encontrar apoio para se manter ativa numa mídia cada vez mais digital

Atualizado em 24/02/2015 às 12:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Chamado de "Pasquim do litoral do Rio de Janeiro" pela irreverência com que trata as notícias, o jornal O Perú Molhado , o mais antigo de Búzios (RJ), completou 34 anos na última segunda-feira (23/2) em meio a uma grave crise financeira. .
Crédito:Reprodução Jornal luta para sobreviver após a morte do fundador em 2014
Segundo o G1, o jornal sempre sofreu com problemas de administração. O caso se agravou depois da morte do editor-chefe, Marcelo Lartigue, em 2 setembro de 2014. Muitos colaboradores deixaram de anunciar.
Victor Viana, responsável por gerenciar o jornalismo do veículo desde que Lartigue morreu, diz que as pressões que O Perú Molhado sofre diariamente diminuem o entusiasmo pelo jornal com o tempo.
"A crise começou durante o período mais crítico da doença do Marcelo. Fomos reduzidos a uma pequena equipe que vinha fechando as edições, muitas vezes, sem a presença física dele, que estava muito fraco. Mesmo assim, sua mente não parava, ele fazia planos e inventava pautas únicas", relata Viana.
Repórter da publicação desde 1999, Sandro Peixoto, amigo de Lartigue, afirma que a lacuna deixada por ele não pode ser preenchida por se tratar de uma forma de jornalismo "muito característica". O jornalista tem desembolsado verba pessoal para se manter trabalhando.
“Com a morte do Marcelo ficou mais difícil. Ele é a alma do jornal. Ele tinha um talento raro para abordar tudo. Sabia o que era notícia. Tinha um olhar peculiar, para montar um jornal também peculiar. Eu pergunto se, assim como os portugueses não sobreviveram sem o poeta Fernando Pessoa, o Perú sobreviverá sem o Marcelo Lartigue?", questionou.
Atualmente, O Peru Molhado tem tiragem semanal de 10 mil exemplares e é distribuído nas principais bancas do Rio de Janeiro, Cabo Frio, Búzios, Macaé e Rio das Ostras. O fim do jornal chegou a ser cogitado, mas os funcionários, com o aval da filha e herdeira do ex-editor, Eva Lartigue, decidiram mantê-lo em circulação.
As relações públicas Sylvana Graça, que trabalha para o jornal há 17 anos, ressalta que os colaboradores devem se unir para manter a publicação ativa. " O Perú não pode acabar. Ele faz parte da história de Búzios. Acho que todos deveriam ajudar. Acho que o momento é dos funcionários e colaboradores se unirem para fazer um jornal melhor para a cidade", destaca.
Peixoto reitera que o periódico precisa da ajuda dos empresários, mesmo com pequenos investimentos. "Se os empresários ajudassem, tudo melhoraria. Todos querem a circulação do jornal e reclamam quando não sai, mas não se preocupam em ajudar", acrescenta.
34 anos
Apesar da crise, no último sábado (21/2), Búzios comemorou o 34º aniversário do jornal. A tradicional feijoada de verão d' O Perú Molhado foi realizada na Orla Bardot. Entre os presentes, estava o prefeito da cidade, André Granado.