O mundo sem imprensa - Paulo André Mendonça/Mackenzie

O mundo sem imprensa - Paulo André Mendonça/Mackenzie

Atualizado em 28/10/2004 às 15:10, por Paulo André Mendonça e  aluno do 2º semestre de jornalismo da Universidade Mackenzie.

Por

Imagine um mundo em que as bancas não vendessem jornais, as televisões não existissem e a Internet fosse uma utopia. "Impossível de viver", muitos diriam. Essa é a realidade de um mundo sem imprensa, local fictício em que o narrador do texto a seguir vive:

Aqui é um inferno! As notícias demoram meses para chegar a qualquer parte. Um tio meu morreu há dois meses e só agora me avisam (e olha que ele morava apenas a 500 quilômetros daqui). Também, a única forma de nos comunicar com outras regiões é oralmente, boca-a-boca.

A corrupção acontece freqüentemente. Não há meios de alertar a população sobre o corrupto, pois é a minha palavra contra a dele. As guerras então, nem se fala! Elas nos pegam de surpresa. Por causa disso, estamos sempre alertas e estressados, a ponto de matarmos um inocente por desconfiarmos que ele é um espião!

Outra coisa que nos amedronta são as doenças. Muitas surgem do nada, matam milhares e desaparecem. Não sabemos quais são os meios de prevenção. Muitos dizem que elas são castigos de Deus. Quando há epidemias, a economia pára. Isso faz muita diferença, pois só comercializamos com as cidades vizinhas. Se uma estagna a sua produção, todas ao redor sofrem, pois cada povoado cultiva tipos únicos de culturas.

A tecnologia é mais um grande problema. Basicamente porque ela pouco melhora! Cada comunidade possui a própria; o único contato que temos com tecnologias externas provém dos relatos de viajantes, muitas vezes pouco confiáveis. Um dia, um homem me disse que viu uma máquina voadora, e todos sabemos que somente os pássaros voam.

Ou seja, o mundo mudou muito pouco de dois mil anos para cá. É preciso que algo seja inventado, mas algo revolucionário, que mude de vez o modo que observamos o mundo. No entanto, eu não sei o que pode ser...