“O mercado de revistas não é confortável, mas é muito interessante", afirma Edson Rossi

“É um mercado que não é confortável, mas é muito interessante. Poucas coisas são mais legais do que fazer revista”, introduziu Edson Rossi durante o Primeiro módulo da Oficina “Jornalismo em Revista: Pauta e reportagem/ edição e fechamento”, realizada por IMPRENSA, no último sábado (19/10).

Atualizado em 22/10/2013 às 17:10, por Gabriela Ferigato.


Crédito: Edson Rossi diz que revista tem que ter conteúdo mais reflexivo
De acordo com Rossi, que atualmente atua na Elemídia (empresa de mídia digital out of home pertencente ao Grupo Abril), a circulação de revistas girava em torno de 453 milhões em 2001 (entre assinatura e vendas em banca). Ano após ano, parecia que a internet estava “matando” esse meio. No entanto, em 2006, os números pararam de cair. Se em 2000 o mercado registrava 2034 títulos, em 2012 esse número saltou para 5913. “As publicações bem feitas vão muito bem. É essencial definir o seu leitor. É uma questão de segmentação. Nunca faça uma publicação para todo mundo”, afirmou Rossi.

A “não” definição do público-alvo também é um erro constantemente apontado no projeto gráfico. Segundo Luciano Araujo, designer da Editora Abril, esse conhecimento definirá diversos pontos e estratégias específicas. “A missão é criar um produto. Primeiramente, é necessário entender a revista e quem é o leitor e se aprofundar nisso: a classe, sexo, idade etc. Tudo isso define tiragem, formato, papel”, afirmou. Por exemplo, a Veja tem uma alta tiragem, o que reflete em uma impressão rápida e em um papel mais fino.

Os principais itens de um projeto gráfico são: tipologia, paleta de cores, fotografia e edição. Mas, para Araujo, falta sintonia entre todos eles. É fundamental o trabalho entre o texto e a arte; passar um briefing para o fotógrafo; um abre casado com o título da matéria etc. “Não podemos cair no piloto automático. O que vejo hoje é uma preguiça de ideias em todas as áreas”, opinou.

No atual cenário, Luciano destaca o trabalho da revista estadunidense Esquire, editada pela Hearst Corporation, como a síntese do melhor e de sinergia entre todas as etapas.

Em uma avaliação resumida do jornalista Edson Rossi, revista não é fato, e sim análise. Pela sua periodicidade, quando ocorrer o fechamento todas as notícias já foram lidas e já é de conhecimento de todos. “Vamos chegar depois, então é necessário pensar com outra cabeça e editar com uma incrível bagagem. Isso exige uma profundidade técnica. Não é simplesmente um relato. O veículo vai mostrar autoridade e posicionamento no assunto. Em outras plataformas há um consumo imediato, a revista precisa durar mais. Por isso tem que ser muito bem feita”, finalizou.

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