O livro do homem que disse que Jesus Cristo morreu enforcado

O livro do homem que disse que Jesus Cristo morreu enforcado

Atualizado em 27/04/2005 às 13:04, por Fernando Jorge.

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O livro "Paulo Francis", de Daniel Piza, é falso, confuso, prolixo e lacunoso. Piza se tornou o alvo de muitos comentários sarcásticos nas redações, por ter escrito num artigo da Bienal que Jesus Cristo morreu enforcado. Quem lê o seu último livro fica com esta forte impressão: é uma obra de Paulo Francis e não de Daniel Piza. Este sempre imitou o estilo de Francis. Devido a tal fato, o professor Armen Mamigonian, da USP, afirmou no artigo " Gerações e fascinações" ("Folha de S. Paulo, 19-12-2001) que Paulo Francis, após sua morte, foi "imediatamente substituído por um clone ". Sim, Daniel Piza é um clone de Paulo Francis.

Piza não possuii, como escritor, o dom da síntese e o seguro conhecimento da língua portuguesa. Na página 51 do livro "Questões de gosto" (Editora Record, 2000), ele salientou que hoje, nas redações, os jornalistas escrevem mal. Entretanto, o senhor Piza não pára de escrever mal. Li o seguinte, no seu artigo " O retrato de Einstein quando jovem": "...dando bases (Einstein) para toda a física moderna, inclusive a quântica, da qual morreu ainda descrente" (OESP, 28-4-2002)

Confesso, eu não sabia que a física quântica matou Albert Einstein. Afinal de contas, se Jesus morreu enforcado, como assegurou Daniel Piza, não é nada de extraordinário que ele atribua a morte do genial cientista a essa física malvada...

O livro de Piza deturpa os fatos. Nega o autor, na página 69, a passividade do seu ídolo, após ser esbofeteado pelo Adolfo Celi, por causa das infâmias do Francis contra a Tônia Carrero. A empresária descreveu esse episódio no artigo "Desculpe, eu escapei do doberman", publicado na Folha de S. Paulo do dia 17 de setembro de 1990. Paulo Francis recebeu um bofetão do Celi, no teatro Aurimar Rocha, e não reagiu. Daniel Piza mente, ao dizer que ambos se engalfinharam. Inspirado nessa épica bofetada, Nelson Rodrigues escreveu uma crônica deliciosa sobre um fulano que depois de ser esbofeteado diante de várias pessoas, sem reagir, passou a ostentar o imenso orgulho de haver sofrido essa humilhação.

Daniel Piza tentou negar no seu livro que o Francis era plagiário. Era plagiário, sim. Ele se apoderava das frases de dezenas de autores e as punha no papel, como se fossem de sua autoria. A jornalista Irene Solano Vianna, que foi editora da "Folha de S. Paulo", chegou a escrever um artigo sobre os plágios de Paulo Francis, depois que eu os revelei no meu livro sobre ele. Irene garantiu:
"O sr, Paulo Francis escrevia mal, plagiava sobretudo citações e idéias, errava feio na ostentação de sua pseudocultura. E o mais grave de todos os pecados: não tinha compromisso algum com a exatidão dos fatos, ou respeito pela honra e dignidade alheias".