"O leitor só deixará de comprar cerveja ou litro de leite se o jornal valer a pena", diz Tessler
Com Pós-Graduação na Universidade Romana La Sapienza e especialização em jornalismo econômico na Columbia University, o jornalista e consultor da empresa espanhola Innovation Media, Eduardo Tessler, já trabalhou em jornais como Zero Hora , O Estado de S.
Atualizado em 14/10/2011 às 17:10, por
Luiz Gustavo Pacete.
Paulo e O Globo , além de ter passado pela Editora Abril e Revista Istoé .
Pela Innovation, foi responsável pela reformulação de jornais em países como Colômbia, Venezuela e Ucrânia. A empresa foi fundada em 1986 por meio de um grupo de professores da Universidade de Navarra e já reestruturou mais de 140 jornais e empresas de comunicação espalhadas por 50 países, entre eles Le Monde e El Pais .
Divulgação Eduardo Tessler Em entrevista à IMPRENSA, Tessler fala sobre as mudanças no mercado de jornais brasileiros e aponta as principais dificuldades na hora de mudar a cultura das empresas de comunicação que ainda carregam vícios de gestões familiares.
IMPRENSA - Quais os problemas mais comuns encontrados nas reformulações de empresas donas de jornais? Eduardo Tessler - Destaco dois problemas comuns a donos de jornais: primeiro é entender que o jornal do século 21 é muito diferente daquele de 20 anos atrás. Os jornais não são mais donos da notícia. O mais difícil é fazer com que os diretores entendam que o jornal que continua dando que o Corinthians ganhou já é ultrapassado. A segunda dificuldade é fazer com que a família entenda a necessidade de ganhar dinheiro; muitas vezes, as questões ideológicas e políticas atrapalham o desenvolvimento dessas empresas.
IMPRENSA - Relações políticas atrapalham? Tessler - Isso é muito forte, principalmente em cidades do interior. Existem parcerias entre jornais e governos que não respeitam o leitor, depois, eles não sabem por qual motivo vendem tão pouco.
IMPRENSA - Qual o principal erro dessas empresas? Tessler - Dono de jornal adora gastar dinheiro em rotativa. Quem ainda pensa assim, caminha rumo ao fracasso. O negócio não é mais vender papel e sim conteúdo. Isso ainda é a maior bobagem que temos que enfrentar com frequência. Por exemplo: se o Zero Hora investe em rotativas, como fez recentemente, e ganha dinheiro com aquilo terceirizando o serviço, é diferente; agora, comprar exclusivamente para imprimir seu jornal, já não dá.
IMPRENSA - A salvação está no conteúdo? Tessler - A salvação dos jornais está na venda de conteúdo e não do papel. No futuro, as cidades não suportarão mais do que um jornal. A tendência da publicidade, principalmente com a distribuição de verbas para tantas mídias, será concentrar esforços nos veículos líderes. Desta forma, os jornais que não são líderes terão certa dificuldade.
IMPRENSA - Isso já aconteceu em outros países? Tessler - Nos Estados Unidos, por exemplo, isso já aconteceu. Muitos bons jornais foram fechados porque a cidade não comportava mais do que um bom título.
IMPRENSA - Como o Brasil se posiciona em termos de convergência? Tessler - O Brasil ainda não conseguiu dar esse pulo como outros países. O Canadá, por exemplo, tem uma facilidade em fazer um ciclo que consegue acompanhar sua audiência de manhã até a noite por meio de várias plataformas. O problema do Brasil é que os veículos acham que ser multimídia é usar um repórter para produzir para várias mídias, quando na verdade é produzir para várias mídias, mas respeitando a personalidade de cada uma delas. Não adianta eu ouvir no rádio o mesmo que eu li no jornal e vi na TV no dia anterior.
IMPRENSA - Qual será o diferencial dos jornais? Tessler - Análise e opinião de fato vão agregar valor. A Folha de S.Paulo tem hoje uma realidade de número de assinantes em função da qualidade de seus articulistas. É necessário oferecer um diferencial.
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Pela Innovation, foi responsável pela reformulação de jornais em países como Colômbia, Venezuela e Ucrânia. A empresa foi fundada em 1986 por meio de um grupo de professores da Universidade de Navarra e já reestruturou mais de 140 jornais e empresas de comunicação espalhadas por 50 países, entre eles Le Monde e El Pais .
Divulgação Eduardo Tessler Em entrevista à IMPRENSA, Tessler fala sobre as mudanças no mercado de jornais brasileiros e aponta as principais dificuldades na hora de mudar a cultura das empresas de comunicação que ainda carregam vícios de gestões familiares.
IMPRENSA - Quais os problemas mais comuns encontrados nas reformulações de empresas donas de jornais? Eduardo Tessler - Destaco dois problemas comuns a donos de jornais: primeiro é entender que o jornal do século 21 é muito diferente daquele de 20 anos atrás. Os jornais não são mais donos da notícia. O mais difícil é fazer com que os diretores entendam que o jornal que continua dando que o Corinthians ganhou já é ultrapassado. A segunda dificuldade é fazer com que a família entenda a necessidade de ganhar dinheiro; muitas vezes, as questões ideológicas e políticas atrapalham o desenvolvimento dessas empresas.
IMPRENSA - Relações políticas atrapalham? Tessler - Isso é muito forte, principalmente em cidades do interior. Existem parcerias entre jornais e governos que não respeitam o leitor, depois, eles não sabem por qual motivo vendem tão pouco.
IMPRENSA - Qual o principal erro dessas empresas? Tessler - Dono de jornal adora gastar dinheiro em rotativa. Quem ainda pensa assim, caminha rumo ao fracasso. O negócio não é mais vender papel e sim conteúdo. Isso ainda é a maior bobagem que temos que enfrentar com frequência. Por exemplo: se o Zero Hora investe em rotativas, como fez recentemente, e ganha dinheiro com aquilo terceirizando o serviço, é diferente; agora, comprar exclusivamente para imprimir seu jornal, já não dá.
IMPRENSA - A salvação está no conteúdo? Tessler - A salvação dos jornais está na venda de conteúdo e não do papel. No futuro, as cidades não suportarão mais do que um jornal. A tendência da publicidade, principalmente com a distribuição de verbas para tantas mídias, será concentrar esforços nos veículos líderes. Desta forma, os jornais que não são líderes terão certa dificuldade.
IMPRENSA - Isso já aconteceu em outros países? Tessler - Nos Estados Unidos, por exemplo, isso já aconteceu. Muitos bons jornais foram fechados porque a cidade não comportava mais do que um bom título.
IMPRENSA - Como o Brasil se posiciona em termos de convergência? Tessler - O Brasil ainda não conseguiu dar esse pulo como outros países. O Canadá, por exemplo, tem uma facilidade em fazer um ciclo que consegue acompanhar sua audiência de manhã até a noite por meio de várias plataformas. O problema do Brasil é que os veículos acham que ser multimídia é usar um repórter para produzir para várias mídias, quando na verdade é produzir para várias mídias, mas respeitando a personalidade de cada uma delas. Não adianta eu ouvir no rádio o mesmo que eu li no jornal e vi na TV no dia anterior.
IMPRENSA - Qual será o diferencial dos jornais? Tessler - Análise e opinião de fato vão agregar valor. A Folha de S.Paulo tem hoje uma realidade de número de assinantes em função da qualidade de seus articulistas. É necessário oferecer um diferencial.
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