O lado holístico da comunicação
O lado holístico da comunicação
A partir dessa semana vou começar a fazer alguns textos baseados em pequenas entrevistas que estou tendo com alguns profissionais de comunicação. Nessa lista estão incluídos desde executivos de comunicação de multinacionais, presidentes de agências, professores e gente renomada que tem algo para falar.
A grande pergunta que fiz para eles é: qual o diferencial de um profissional de comunicação hoje? Sem dúvida uma pergunta difícil e por isso fui buscar ajuda, pois tenho escrito bastante sobre isso nos últimos meses, algumas vezes de forma direta e outras indireta, mas senti que estava na hora de ouvir um pouco mais, para tentar achar uma direção e mais conteúdo.
O que precisamos saber para entregarmos um trabalho de primeira linha para um cliente ou empresa? Que formação precisamos ter? A tecnologia muda isso? Enfim, essas são algumas perguntas para as quais estou querendo resposta e por isso fui a campo.
Nessa primeira coluna, conversei com Yara Peres, sócia e vice-presidente do Grupo CDN, uma das mais importantes agências de comunicação do País. Formada em jornalismo, publicidade e propaganda, atua há 20 anos como consultora na área de comunicação corporativa. Além disso, ela mantém um muito interessante.
Muito simpática, ela me atendeu por telefone e após ouvir meus questionamentos foi muito enfática dizendo: "o que vou dizer não é um termo muito bonito, mas representa exatamente o que falta no mercado de comunicação de hoje, faltam profissionais holísticos no mercado". Agora, não se assuste. O que ela quer dizer não é nada zen ou de outra dimensão. Depois que conversei com ela, procurei uma exata explicação do termo (Santo Google!).
O termo vem do grego "holos", que é igual ao todo, Holístico é um termo que ao mesmo tempo indica uma tendência de ver o todo além das partes. Na pesquisa que fiz percebi que essa palavra tem ganhado cada vez mais áreas, que passam pela filosofia, teologia, educação, ecologia, economia, e demais domínios do conhecimento humano.
É óbvio que essa visão também tem que cair na comunicação, mas pelo visto poucos andam aplicando essa percepção macro. Ainda no bate-papo com a Yara, ela explicou melhor o que anda acontecendo, "os profissionais de hoje são muito bons em manusear ferramentas, um é bom para fazer newsletter, outro é bom no Excel, outro é bom em treinamento, mas todos cometem o mesmo erro: só sabem usar ferramentas, nunca enxergam além do que está à sua frente".
Para ela esse comportamento míope é conseqüência da falta de formação e solidez de cada um. "As universidades estão muito ruins, pois não há uma visão humanista que estude a psicologia, sociologia e outras áreas do conhecimento humano de forma profunda e ligada à comunicação", explica. O que ela diz aqui, agora na minha opinião, é o que separa os bons dentro do mercado, pois só quem tem uma visão mais profunda da dinâmica humana é capaz de entregar algo ao cliente além do que é demandando.
O que adianta produzir cem press-releases por mês, sendo que, por exemplo, a comunicação interna não está adequada dentro de uma empresa? E pior, sem o conhecimento de humanas, não é possível nem perceber os sutis e tênues movimentos políticos, comportamentais e sociais dentro de uma organização. Se um comunicador não tem esse faro, sua função torna-se meramente burocrática e mecânica. A pessoa torna-se uma máquina de executar tarefas, sem questionar ou melhorar seu desempenho.
Já no fim da conversa, ainda falando das questões humanistas e da parte de formação acadêmica, ela citou o termo comunicólogo para definir um profissional completo e não apenas aquele cidadão que se formou em Comunicação Social. Esse seria o ideal para aquele indivíduo que realmente exerce o seu saber de entender e comunicar duas pontas. Acho que vale pensar nesses termos e ver se realmente estamos honrando essa denominação que adquirimos depois de alguns anos na faculdade.
Para finalizar a coluna de hoje, a impressão que fica é que anda faltando gente usando tutano na hora de trabalhar. Que há profissionais bons isso há, mas são poucos que estão indo além. Tá na hora de refletir sobre isso e nos movimentarmos para mudar isso desde o início, lá nos bancos das escolas, para depois chegarmos com segurança na frente da mesa do cliente com uma bela solução de comunicação.






