"O jornalista tem ido cada vez menos atrás do fato", diz o cientista político Guaracy Mingardi
O ano de 2014 começou com os olhos da imprensa nacional e internacional voltados para o que ocorre atrás das grades do Brasil, precisamente as do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís (MA), onde morreram mais de 60 pessoas desde 2013.
Atualizado em 28/02/2014 às 15:02, por
Jéssica Oliveira.
Foi de lá que partiram as ordens para atacar delegacias e ônibus do lado de fora. Uma criança morreu queimada e três pessoas ficaram feridas.
Passados mais ou menos dois meses, a intensa cobertura praticamente desapareceu. Segundo o cientista político Guaracy Mingardi, que tem 30 anos de experiência em segurança pública, isso mostra como a sociedade, políticos e imprensa não dão importância para o sistema prisional brasileiro. E que, fora casos fortes, como o de Pedrinhas, problemas assim são ignorados.
"Nosso modelo prisional é errado e isso não é debatido o bastante na imprensa, que só discute os grandes casos. Mais do que procurar declarações de autoridades públicas ou supostas autoridades, repercussão de um e de outro, tem que investigar o fato e falar sobre ele", afirma. "Cada vez menos, isso tenho certeza na cobertura de segurança pública, se fala menos do fato e mais sobre as interpretações que as pessoas têm sobre o fato", completa.
Crédito:Arquivo pessoal Cientista político tem 30 anos de experiência na área da segurança pública Segundo Mingardi, a falta de jornalistas especializados nessa área contribui para manter o "fulano disse que, sicrano disse que" em coberturas de casos assim. "O jornalista é cada vez mais genérico. As fontes são mais genéricas, parece que o repórter não sabe onde procurar", lamenta. Em São Paulo, por exemplo, ele diz haver "meia dúzia" de jornalistas focados na área. "Alguns estavam até se especializando e ficando cada vez melhor nisso, mas todos estão desaparecendo", lamenta.
Para o cientista político, as faculdades de jornalismo devem dar uma atenção maior à área de segurança pública e mostrar a importância dessa cobertura. “Polícia não é aquela coisa que o sujeito quer cobrir. É como os obituários: alguém tem que fazer. Ele geralmente quer ser repórter internacional, cobrir Brasília, poder econômico... Infelizmente, não surgiu uma nova geração de jornalistas com fontes e conhecimento na área policial", finaliza.
Além de livros, artigos, mestrado e doutorado sobre segurança pública, Mingardi desenvolveu trabalhos sobre inteligência e análise criminal, crime organizado e corrupção e foi sub-secretário nacional de segurança pública. Em São Paulo, foi assessor do Procurador Geral de Justiça do Ministério Público, atuou na polícia, na Assembleia Legislativa e na Secretaria de Segurança Pública de Guarulhos.
À IMPRENSA de março, ele comenta o sistema prisional brasileiro, a cobertura e os erros da imprensa, a reação da sociedade frente à violência que o país enfrenta e o que os governos precisam fazer para mudar a situação. A entrevista pode ser lida na seção "Fonte" da edição 298.
Passados mais ou menos dois meses, a intensa cobertura praticamente desapareceu. Segundo o cientista político Guaracy Mingardi, que tem 30 anos de experiência em segurança pública, isso mostra como a sociedade, políticos e imprensa não dão importância para o sistema prisional brasileiro. E que, fora casos fortes, como o de Pedrinhas, problemas assim são ignorados.
"Nosso modelo prisional é errado e isso não é debatido o bastante na imprensa, que só discute os grandes casos. Mais do que procurar declarações de autoridades públicas ou supostas autoridades, repercussão de um e de outro, tem que investigar o fato e falar sobre ele", afirma. "Cada vez menos, isso tenho certeza na cobertura de segurança pública, se fala menos do fato e mais sobre as interpretações que as pessoas têm sobre o fato", completa.
Crédito:Arquivo pessoal Cientista político tem 30 anos de experiência na área da segurança pública Segundo Mingardi, a falta de jornalistas especializados nessa área contribui para manter o "fulano disse que, sicrano disse que" em coberturas de casos assim. "O jornalista é cada vez mais genérico. As fontes são mais genéricas, parece que o repórter não sabe onde procurar", lamenta. Em São Paulo, por exemplo, ele diz haver "meia dúzia" de jornalistas focados na área. "Alguns estavam até se especializando e ficando cada vez melhor nisso, mas todos estão desaparecendo", lamenta.
Para o cientista político, as faculdades de jornalismo devem dar uma atenção maior à área de segurança pública e mostrar a importância dessa cobertura. “Polícia não é aquela coisa que o sujeito quer cobrir. É como os obituários: alguém tem que fazer. Ele geralmente quer ser repórter internacional, cobrir Brasília, poder econômico... Infelizmente, não surgiu uma nova geração de jornalistas com fontes e conhecimento na área policial", finaliza.
Além de livros, artigos, mestrado e doutorado sobre segurança pública, Mingardi desenvolveu trabalhos sobre inteligência e análise criminal, crime organizado e corrupção e foi sub-secretário nacional de segurança pública. Em São Paulo, foi assessor do Procurador Geral de Justiça do Ministério Público, atuou na polícia, na Assembleia Legislativa e na Secretaria de Segurança Pública de Guarulhos.
À IMPRENSA de março, ele comenta o sistema prisional brasileiro, a cobertura e os erros da imprensa, a reação da sociedade frente à violência que o país enfrenta e o que os governos precisam fazer para mudar a situação. A entrevista pode ser lida na seção "Fonte" da edição 298.





