O jornalista Paulo Nassar fala da visão “aberjeana” de comunicação empresarial
Durante a entrevista para IMPRENSA, Paulo Nassar explicou como a Aberje construiu este perfil e a importância do saber na comunicação hoje.
Atualizado em 28/03/2012 às 13:03, por
Kátia Zanvettor.
Seu currículo não deixa dúvidas: Paulo Nassar, diretor-geral da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial), priorizou o estudo na sua trajetória. Formando em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é mestre e doutor em Ciências da Comunicação, na área de Relações Públicas, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Também atua como professor, coordenador da graduação e professor da Pós-Graduação da USP.
Crédito:Ana Ottoni Mas ele não foi o único. Segundo o próprio Nassar, a Aberje também focou em seus 45 anos de vida no estudo, tanto que hoje é considerada pelos principais gestores de comunicação a think tank da comunicação brasileira. Para conhecer melhor o perfil e as tendências do setor, IMPRENSA realizou sobre comunicação empresarial na edição de abril (277, pág. 54).
Nesse cenário, a Aberje possui papel importante. Para Nassar, é possível falar de uma visão “aberjeana” da comunicação organizacional brasileira. “A Aberje é a fundadora do campo científico e profissional da comunicação em empresas e instituições no país, referenciando o pensamento e as práticas nas empresas e na universidade”, reforçou Nassar. Durante a entrevista para IMPRENSA, o professor explicou como a Aberje construiu este perfil e a importância do saber na comunicação hoje. Veja trechos inéditos da conversa:
IMPRENSA: Qual é o atual perfil da Aberje? Paulo Nassar: A Aberje hoje, além de ser a grande apoiadora das empresas na área de comunicação, é também o think tank das empresas, ou seja, ela é uma usina de ideias. Estamos o tempo todo pensamos novos formatos de comunicação, com um perfil científico, procurando dar um olhar analítico para os dados das empresas.
Como chegou a este caminho? A comunicação mudou porque o mundo mudou. A Aberje acompanhou muito isso, ela foi uma associação que não se misturou com os interesses do governo, e temos que lembrar que ela surgiu em meio a uma ditadura feroz que matou milhares de pessoas, tirou a liberdade do país e atrapalhou o desenvolvimento da comunicação. A Aberje sempre foi uma entidade que manteve a independência e se preservou e, ao mesmo tempo, conseguiu desenvolver uma trajetória para construir uma entidade profissional e científica.
Como é essa nova comunicação? As pessoas precisam da mediação qualificada e no mundo da comunicação empresarial, cada vez mais porque não vamos ficar refém de uma quantidade descomunal de informação que produz uma tirania do presente. Imagina, por exemplo, e não é ficção científica, pensar que as pessoas vão ficar literalmente morando em uma bolha do presente se ficarem rodando em torno da informação pela informação, perdendo a dimensão da tradição e da inovação. Hoje, Os comunicadores tem que tomar muito cuidado para não aumentarem esse processo comunicacional e relacional simplesmente sob a perspectiva do consumo da informação.
Esse cuidado já existe nas empresas? Acredito que sim. Vivemos um processo muito interessante e que o Brasil é vanguarda no mundo: uma comunicação mais democrática, colaborativa. Claro que essa mesma comunicação enfrenta os problemas de uma sociedade que está baseada no modelo de formação em commodities e que enfrenta o uso das redes sociais que são muitas vezes usadas como torcidas organizadas para fazer bulling , para disponibilizar conteúdos homofóbicos, xenofóbicos, anti-femininos. Ou seja, vivemos uma realidade que é complexa e o comunicador tem que aprender a atuar nisso e não mais na antiga visão de que é o centro do poder e que possui o controle da formatação de conteúdo, mas como alguém que é um grande selecionador de informação, um interpretador da informação. Não é porque o polo emissor foi liberado, com as novas tecnologias, que o papel do mediador deixou de ser importante. O comunicador hoje tem como responsabilidade emitir opinião sobre a informação, ele é um mediador de alta qualidade, que não só tem espaço como tem um papel preponderante na sociedade.
Mas todos os profissionais já entraram nessa tendência? Claro que não. É obvio que você tem no setor, como em outros setores, problemas e defasagens que ainda sustentam uma perspectiva da manipulação, do controle da informação. Mas isso não é só na comunicação corporativa, esse perfil está na imprensa de massa, na imprensa fragmentada, na segmentada, são fenômenos que ocorrem em todos os lugares. Eu acho até que você tem um acirramento de posições, você vai ter pessoas trabalhando cada dia mais com foco no controle, foco na persuasão, sempre do ponto de vista do emissor, mas você também tem os que estão trabalhando na perspectiva do diálogo, do colaborativo. Neste sentido, a comunidade Aberje trabalha muito bem fomentando o diálogo, a pesquisa e o desenvolvimento de novas narrativas para a comunicação.
Detalhe um pouco esse trabalho... A Aberje trabalha com a questão das narrativas. Nossa questão central é entender quais são as narrativas da comunicação empresarial, quais são as narrativas das empresas e a gente acha que o lugar do comunicador é na produção de narrativas. Quando falo de narrativas estou falando em formação de significado. Quer dizer, quando você narra, você seleciona, quando você seleciona você significa. É por isso que, por exemplo, duas pessoas podem trabalhar com três ou quatro conjuntos de dados e a significação que cada um vai dar para aqueles dados são diferentes. O que essas pessoas podem fazer é compartilhar significados, mas na hora que você vai construir uma narrativa você vai escolher aquilo que está ligado a sua experiência, uma estratégia, com a sua história. Assim, na Aberje, pensamos que nossa principal função é atuar no compartilhamento da história e na atribuição de sentido para as narrativas empresariais e para cobrir este escopo.

Crédito:Ana Ottoni Mas ele não foi o único. Segundo o próprio Nassar, a Aberje também focou em seus 45 anos de vida no estudo, tanto que hoje é considerada pelos principais gestores de comunicação a think tank da comunicação brasileira. Para conhecer melhor o perfil e as tendências do setor, IMPRENSA realizou sobre comunicação empresarial na edição de abril (277, pág. 54).
Nesse cenário, a Aberje possui papel importante. Para Nassar, é possível falar de uma visão “aberjeana” da comunicação organizacional brasileira. “A Aberje é a fundadora do campo científico e profissional da comunicação em empresas e instituições no país, referenciando o pensamento e as práticas nas empresas e na universidade”, reforçou Nassar. Durante a entrevista para IMPRENSA, o professor explicou como a Aberje construiu este perfil e a importância do saber na comunicação hoje. Veja trechos inéditos da conversa:
IMPRENSA: Qual é o atual perfil da Aberje? Paulo Nassar: A Aberje hoje, além de ser a grande apoiadora das empresas na área de comunicação, é também o think tank das empresas, ou seja, ela é uma usina de ideias. Estamos o tempo todo pensamos novos formatos de comunicação, com um perfil científico, procurando dar um olhar analítico para os dados das empresas.
Como chegou a este caminho? A comunicação mudou porque o mundo mudou. A Aberje acompanhou muito isso, ela foi uma associação que não se misturou com os interesses do governo, e temos que lembrar que ela surgiu em meio a uma ditadura feroz que matou milhares de pessoas, tirou a liberdade do país e atrapalhou o desenvolvimento da comunicação. A Aberje sempre foi uma entidade que manteve a independência e se preservou e, ao mesmo tempo, conseguiu desenvolver uma trajetória para construir uma entidade profissional e científica.
Como é essa nova comunicação? As pessoas precisam da mediação qualificada e no mundo da comunicação empresarial, cada vez mais porque não vamos ficar refém de uma quantidade descomunal de informação que produz uma tirania do presente. Imagina, por exemplo, e não é ficção científica, pensar que as pessoas vão ficar literalmente morando em uma bolha do presente se ficarem rodando em torno da informação pela informação, perdendo a dimensão da tradição e da inovação. Hoje, Os comunicadores tem que tomar muito cuidado para não aumentarem esse processo comunicacional e relacional simplesmente sob a perspectiva do consumo da informação.
Esse cuidado já existe nas empresas? Acredito que sim. Vivemos um processo muito interessante e que o Brasil é vanguarda no mundo: uma comunicação mais democrática, colaborativa. Claro que essa mesma comunicação enfrenta os problemas de uma sociedade que está baseada no modelo de formação em commodities e que enfrenta o uso das redes sociais que são muitas vezes usadas como torcidas organizadas para fazer bulling , para disponibilizar conteúdos homofóbicos, xenofóbicos, anti-femininos. Ou seja, vivemos uma realidade que é complexa e o comunicador tem que aprender a atuar nisso e não mais na antiga visão de que é o centro do poder e que possui o controle da formatação de conteúdo, mas como alguém que é um grande selecionador de informação, um interpretador da informação. Não é porque o polo emissor foi liberado, com as novas tecnologias, que o papel do mediador deixou de ser importante. O comunicador hoje tem como responsabilidade emitir opinião sobre a informação, ele é um mediador de alta qualidade, que não só tem espaço como tem um papel preponderante na sociedade.
Mas todos os profissionais já entraram nessa tendência? Claro que não. É obvio que você tem no setor, como em outros setores, problemas e defasagens que ainda sustentam uma perspectiva da manipulação, do controle da informação. Mas isso não é só na comunicação corporativa, esse perfil está na imprensa de massa, na imprensa fragmentada, na segmentada, são fenômenos que ocorrem em todos os lugares. Eu acho até que você tem um acirramento de posições, você vai ter pessoas trabalhando cada dia mais com foco no controle, foco na persuasão, sempre do ponto de vista do emissor, mas você também tem os que estão trabalhando na perspectiva do diálogo, do colaborativo. Neste sentido, a comunidade Aberje trabalha muito bem fomentando o diálogo, a pesquisa e o desenvolvimento de novas narrativas para a comunicação.
Detalhe um pouco esse trabalho... A Aberje trabalha com a questão das narrativas. Nossa questão central é entender quais são as narrativas da comunicação empresarial, quais são as narrativas das empresas e a gente acha que o lugar do comunicador é na produção de narrativas. Quando falo de narrativas estou falando em formação de significado. Quer dizer, quando você narra, você seleciona, quando você seleciona você significa. É por isso que, por exemplo, duas pessoas podem trabalhar com três ou quatro conjuntos de dados e a significação que cada um vai dar para aqueles dados são diferentes. O que essas pessoas podem fazer é compartilhar significados, mas na hora que você vai construir uma narrativa você vai escolher aquilo que está ligado a sua experiência, uma estratégia, com a sua história. Assim, na Aberje, pensamos que nossa principal função é atuar no compartilhamento da história e na atribuição de sentido para as narrativas empresariais e para cobrir este escopo.






