“O jornalismo tupiniquim não recusa uma declaração”, critica colunista do "Estadão"
A imprensa deveria combater a corrupção? Essas e outras perguntas relacionadas ao papel dos jornalistas no combate à corrupção foram levantadas no “Seminário Controle da Corrupção”, realizado pelo Ministério Público Democrático (MPD), em São Paulo, nesta terça-feira (4/9).
Atualizado em 04/09/2012 às 16:09, por
Luiz Gustavo Pacete.
Para um público de juristas, advogados, jornalistas e inúmeros profissionais ligados ao Ministério Público, o jornalista de O Estado de S.Paulo e vice-presidente da Abraji, José Roberto de Toledo, ressaltou que não cabe aos jornalistas tentar fazer justiça com as próprias mãos.
Divulgação/Terra José Roberto de Toledo “O jornalismo não é júri. A ele não cabe julgar. Também não é juiz, logo não cabe a ele condenar. Não é advogado, não pode defender e não é policial, não deve interrogar. Parece óbvio, mas isso é complicado. Entretanto, ao relatar um acontecimento, o jornalista é juiz, advogado e promotor, mas dos fatos”.
Indagado sobre o papel da mídia no controle da corrupção, Toledo disse que o jornalismo investigativo tem relevância no contexto de trazer à luz informações e dados que são mais verdadeiros do que declarações de políticos.
O jornalista criticou a maneira cômoda de fazer jornalismo declaratório e destacou que a profissão só continuará relevante se souber lidar com dados e informações que os políticos manipulam e omitem. “O jornalismo tupiniquim não recusa uma declaração, principalmente se for de políticos. A mais chata e preguiçosa maneira de fazer jornalismo”.
Demanda por informação
Também presente no seminário, Cláudio Abramo, diretor da Transparência Brasil, situou a imprensa como a mais importante geradora de demandas em relação à lei de acesso à informação. Entretanto, chamou a atenção para a situação dos jornais pelos municípios do país, limitados e dominados por oligarquias. “Segundo a ANJ, temos 820 jornais no Brasil, sendo que grande parte pertence a municípios ligados a oligarquias, ou seja, como vão gerar demanda assim?”, alertou Abramo.






