"O jornalismo é matéria-prima essencial", diz Gandour, sobre os 140 anos do "Estadão"

Quando A Província de São Paulo começou a rodar naquele janeiro de 1875, a capital paulista somava pouco mais de 30 mil habitantes.

Atualizado em 16/01/2015 às 10:01, por Danubia Paraizo.

Paulo começou a rodar naquele janeiro de 1875, a capital paulista somava pouco mais de 30 mil habitantes. O Brasil ainda vivia sob comando de Dom Pedro II, e Brasília nem sonhava em ser planejada por Oscar Niemeyer.
Passados 140 anos desde então, e com eles, uma infinidade de transformações políticas, econômicas e culturais, o jornal O Estado de S. Paulo agora se prepara para mais um aniversário. O rebatismo com o nome atual aconteceu em 1890 e seguiu firme até os dias de hoje.
Em comemoração à data, o jornal prepara um especial multimídia a partir do próximo dia 18 de janeiro, que inclui resgates históricos do Brasil e do próprio veículo. A frente do projeto estão Luciana Garbin e Fabio Sales e uma equipe de vinte pessoas apenas da redação.
Crédito:Divulgação Ricardo Gandour é diretor de conteúdo do Grupo Estado Mas as homenagens não param por aí. De fevereiro a dezembro, o veículo publicará mensalmente um caderno especial temático, além de ações voltadas para leitores, como exposições e workshops. Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado, explica que o momento é de renovação e destaca a importância de o veículo ter se mantido fiel aos seus ideais por tanto tempo.
O investimento nas plataformas online também foi lembrado pelo executivo como diferencial. “Hoje nós temos mais de 120 milhões de pageviews /mês num site que é essencialmente jornalístico. Sem apelação por audiência, dando furo, ganhando prêmios, como o Esso 2014. (...) Fazemos 140 anos com corpinho de 18”, define.
IMPRENSA - O jornal passou por grandes mudanças ao longo desses 140 anos. Quais foram as mais significativas? Ricardo Gandour - O que tem reinado muito nesse momento de celebração é que além de todas essas mudanças que aconteceram – jornal mudou graficamente, inovou em cadernos, no plano digital, mais recentemente, também investiu nos dispositivos móveis - em 140 anos mantivemos os mesmos ideais.
Hoje nós temos mais de 120 milhões de pageviews/mês num site que é essencialmente jornalístico. Sem apelação por audiência, dando furo, ganhando prêmios, como o Esso 2014. Somos pelo 12.º ano o jornal mais admirado, então, fazemos 140 anos com corpinho de 18. Em plena forma e com energia. Estamos nos sentindo jovens e renovados. Esse é o tom.
Vocês ganharam o Esso com um trabalho de 17 meses de apuração. Acha que esse investimento em reportagem de profundidade é um caminho para os impressos? Com certeza. Isso que é o diferencial. Você não encontra uma grande reportagem daquela na web. Dificilmente vai achar. O investimento em reportagem, em entrevista, em especiais, é importante. Veja a repercussão que teve a entrevista da Eliane Cantanhêde com a Marta Suplicy. O jornalismo é matéria-prima essencial.
O Estadão nasceu paulista, mas hoje trata da cobertura nacional e também internacional. Como fazem para ter relevância em todo o País? O jornal virou uma referência nacional. Mesmo quando ele cobre assuntos paulistas, são assuntos que interessam o restante do Brasil. São Paulo interessa porque dita tendências na economia, nas empresas, no empreendedorismo, nas artes. O Estadão é hoje lido pelo público qualificado de Sergipe, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás, Amazonas... A internet ajudou a facilitar esse diálogo. Tanto que na web, como estratégia de marca, usamos Estadão, e não O Estado de S. Paulo .
Diante das inúmeras discussões sobre o futuro do impresso, qual é a importância de um jornal hoje completar 140 anos? É importantíssimo. Em termos mundiais, o Estadão é certamente um dos 10 jornais mais antigos do mundo e uma das 10 empresas mais antigas do País. O Brasil é um país em que o impresso ainda tem grande relevância e vai ter por muito tempo. E o digital e o impresso harmonizam muito bem. No impresso, a circulação está estável há mais de dois anos, temos até um resgate de leitura, um contingente de leitores que quer ter a estabilidade do impresso, o aprofundamento, e a concentração de leitura. O que fica claro é que cada dispositivo oferece um jeito de consumir informação. Você pode ter na tela de um smartphone ou de um tablet a interatividade, mas para a leitura mais concentrada e calma de um artigo mais longo é interessante a mídia impressa.
O que esperar para os próximos anos do Estadão ? Nosso horizonte é ser cada vez mais multiplataforma. O impresso permanece, mas convivendo com as demais plataformas. No smartphone o texto é mais resumido, com mais vídeo. No tablet é uma coisa mais ilustrada, com um pouco mais de profundidade. No site, mais interatividade. Nas redes sociais, mais flashs, mais engajamento. O impresso continua em nosso plano estratégico. É nosso carro-chefe.