O jornal tem que ser necessário para o leitor, diz Laurindo Ferreira sobre os 92 anos do JC

O jornal tem que ser necessário para o leitor, diz Laurindo Ferreira sobre os 92 anos do JC

Atualizado em 05/04/2011 às 17:04, por Luiz Gustavo Pacete/Redação Revista IMPRENSA.

O jornal tem que ser necessário para o leitor, diz Laurindo Ferreira sobre os 92 anos do JC

Por

O Jornal do Commercio de Recife (PE) completa 92 anos este mês. O diário, um dos líderes no Nordeste e um dos mais tradicionais do país, para comemorar a data, inaugura um novo projeto gráfico e editorial. As alterações estrearam nas bancas e na internet nesta terça-feira (05).

Divulgação
Laurindo Ferreira

A busca por atualização constante remonta à 1987, quando o jornal, mergulhado em divididas, deixou de circular e perdeu credibilidade. A situação foi revertida com a ajuda de Ivanildo Sampaio, jornalista que assumiu a direção do JC e até hoje comanda o veículo.

Ao Portal IMPRENSA, o diretor adjunto de redação do JC , Laurindo Ferreira, falou sobre a nova fase do veículo e as mudanças no perfil da audiência, ressaltando que o leitor não quer ser mais um mero consumidor de informação, mas precisa estar junto à redação. O JC pertence ao grupo João Carlos Paes Mendonça (JCPM) que congrega empresas de rádio, a afiliada do SBT em Recife e grandes investimentos na área de shoppings, dentro e fora de Pernambuco. Veja trechos da conversa com Ferreira:

Portal IMPRENSA - Como repensar um jornal de nove décadas de idade em plena era digital?
Laurindo Ferreira -
É um desafio, ainda mais quando você tem o papel de líder. A discussão sobre as mudanças nos jornais existem há muito tempo e é resultado do que está acontecendo fora da redação, da forma como as pessoas estão lendo conteúdo e como as plataformas mudaram. Por isso, começamos a discutir a atualização gráfica e as mudanças nessa forma de fazer o jornal. Além disso, hoje o jornal não fala para uma classe especifica, mas está voltado para um público bem mais amplo.

Portal IMPRENSA - De que forma vocês sentiram as novas necessidades do leitor?
Ferreira -
Fomos para a web, inicialmente, mas a mudança mais importante é a postura de dentro da redação. Criamos em nossa redação núcleos que vão ouvir o que os leitores têm a dizer. Além da reforma, essa é uma das grandes novidades: criar mecanismos fortes e objetivos que façam com que o leitor participe de forma mais concreta. A partir de hoje, não há nenhuma capa do jornal que vá para as bancas sem ter uma chamada para algo que um leitor produziu. Acreditamos que para ter vida longa, nosso jornal precisa ser necessário.

Portal IMPRENSA - Considerando que muitos jornais estão migrando para a internet, qual o diferencial do JC ?
Ferreira -
A ideia é discutir qual o papel do jornalista nesse mundo em que vivemos. Principalmente porque as pessoas já não aceitam receber informações de forma verticalizada, acabou a hegemonia. Acho que devemos repensar todas as dificuldades de um jornal impresso e fazer dele algo útil. Somente desta forma é possível contrariar as expectativas apocalípticas. Uns dos diferenciais será a produção de especiais. Em 2009, ganhamos um Prêmio Esso por uma série de 24 páginas chamada de "Os Sertões".

Portal IMPRENSA - Ainda existe na região clientelismo eleitoral e midiático?
Ferreira -
Nosso jornal pertence a um grupo que possui vários investimentos, o JCPM. Em 1987, o proprietário do grupo pegou o JC e o tirou da falência. Essa força financeira nos ajuda em relação à independência. Me lembro inclusive que eu ainda estava na faculdade de jornalismo quando participei de um protesto para o jornal não fechar. O que ajuda também é que o dono do grupo gosta do negócio jornal e isso faz toda a diferença.

Portal IMPRENSA - Como separar as relações comerciais da isenção editorial?
Ferreira -
Obviamente o grupo possui suas relações políticas e comerciais. Mas está longe de ser aquele jornal de coronel. Até porque ele tem uma gestão moderna e extremamente organizada. É claro que eu não estou querendo dizer que não exista influência na redação, temos conversas mensais com o dono do grupo, mas no dia-a-dia ele não faz interferências diretas. E é claro que os políticos sempre reclamam de nós, mas isso é bom.

Leia mais