O “infotenimento” e o humor no esporte

A palavra “infotenimento”, quando aplicada no sentido jornalístico, significa a união da informação com o entretenimento. Uma artimanha usad

Atualizado em 14/06/2017 às 11:06, por .

Opinião: O “infotenimento” e o humor no esporte, por Leandro Massoni Ilhéu

a atualmente por diversos programas jornalísticos, inclusive, os de esportes. É cada vez mais comum vermos na TV, no rádio e claro, na web, um tom mais informal, elevado à comicidade, usufruído por apresentadores e jornalistas durante a exibição de um programa de cunho noticioso.


Mas afinal, é errado usar o “infotenimento” ao seu favor? Não. Acredito que apenas deve-se diminuir o abuso deste recurso, já que muitas dessas atrações jornalísticas, incluindo as de esportes, têm beirado ao ridículo do cômico ao exacerbarem com piadas fúteis e sem menor sentido quando colocadas em prática e mostradas ao público.


Não estou querendo ser chato ao fazer essas afirmações, pois também gosto de humor e entretenimento ao mesmo tempo, ainda mais durante um programa esportivo. Contudo, a questão é de que, em certos casos, está se perdendo a verdadeira essência deste tipo em específico de jornalismo, que é a de informar com assertividade e clareza todos os fatos envolvendo um determinado assunto.


O fato é que toda aquela preocupação de tempos atrás que se tinha com a notícia está sendo substituída pela total atenção ao entretenimento – que na verdade, na maioria dos casos, passa a valer-se como artifícios de comédia –, significando desta forma em uma completa perseguição a todo custo pela audiência.


Audiência é sempre bom ter, ainda mais quando são atingidos picos elevados de telespectadores e ouvintes acompanhando um determinado programa. Porém, onde está localizado o fato notícia com relevância em meio a tudo isso? Pois é, uma pergunta que pode ser facilmente respondida por quem realmente assiste todo a esse espetáculo de maneira indignada.


Voltando ao “infotenimento”, o recurso é e sempre será bem-vindo ao jornalismo, mesmo porque deixa as transmissões com mais leveza ao público. Entretanto, acredito que seja preferível a não exploração elevada à potência máxima do escárnio e do ridículo através de situações banais e que, assim, deixem de lado o fator notícia para dar o lugar ao show de erros e desavenças criados pelos próprios representantes de uma atração, que tem a finalidade principal de informar e também revelar detalhes até então não noticiados pela imprensa.


Outro fator que pode – e poderia – contribuir a fim de oferecer ares mais relaxantes ao jornalismo esportivo é o uso adequado das redes sociais, traduzido por meio da palavra interatividade. Esta função, atualmente, vem sendo apreciada por vários canais de comunicação. Alguns as utilizam muito bem, outros, nem tanto assim. É verdade que temos muito que aprender com esses meios tecnológicos, todavia, nem sempre temos espaço de sobra para errar à vontade, uma vez que o tempo corre e o público tem pressa em saber o que se passa com seu clube de coração e as demais novidades do universo esportivo.


Em algumas rádios que costumo sintonizar, observo o uso devido do WhatsApp. O aplicativo de mensagens instantâneas e chamadas de voz é hoje uma febre, e logo, veículos diversos de comunicação aderiram-no, seja para que seus profissionais o usem para noticiar fatos ocorridos de última hora ou para aquela velha “zoeira” rotineira. Não digo que sou contra a isso, mas tenho em mente que sempre há lugar e hora para certos momentos. E no jornalismo esportivo, vale-se a ideia de que menos é mais para informar.


Concluindo, o uso do “infotenimento” é válido, desde que seja equilibrado e não prejudique a transmissão jornalística dos fatos. A questão é que precisamos ser mais informados do que doutrinados ao aceitarmos um jornalismo que mais deixa exposto as vaidades individuais do que a própria notícia, que é e devia ser o objetivo final de uma boa parte das mídias especializadas em esportes. Já dizia o renomado jornalista norte-americano Joseph Pulitzer: "seja breve para que eles leiam; claro para que eles gostem; original para que eles não se esqueçam e acima de tudo, preciso, para que sejam guiados por sua luz".

Crédito:Acervo pessoal *Leandro Massoni Ilhéu é jornalista formado pela Universidade Paulista (Unip) e radialista pela Rádioficina Escola de Rádio e Televisão. Tem se aventurado a escrever sobre jornalismo esportivo por meio do site Comunique Esporte. É também autor do vídeo documentário “O Futebol Nacional”, que conta a história do Nacional Atlético Clube através do ponto de vista de jornalistas e peritos no esporte bretão.