“O humor precisa ser reflexivo”, afirma o cartunista Paulo Caruso
Em visita à IMPRENSA, na última quarta-feira (25/3), o cartunista Paulo Caruso falou sobre o papel do humor nas charges
Atualizado em 31/03/2015 às 15:03, por
Gabriela Ferigato.
Em visita à IMPRENSA na última quarta-feira (25/3), o cartunista Paulo Caruso falou sobre o papel do humor nas charges. Segundo ele, como profissional, é necessário ter uma postura mais conservadora.
Crédito:Jéssica Oliveira “Não é qualquer colocação. O meu humor é reflexivo. Por meio dele, o objetivo é fazer as pessoas pensarem e se sentirem informadas. Por mais crítico que ele possa ser, não é só ‘cutucar’. É fazer pensar e mudar para melhor".
Como exemplo, citou o trabalho feito pelo jornal francês Charlie Hebdo , alvo de um atentado terrorista em janeiro deste ano. Caruso lembrou de uma charge feita por ele em 2011 em que um muçulmano perseguia um cavaleiro com a edição do Charlie em sua mão e ambos seguiam em direção ao penhasco.
Originalmente criada para a revista Época, o cartunista afirmou que na ocasião a charge não foi publicada por receio de retaliações. “Esse gênero de humor tem coisas que eram chocantes para mim. Eles não fazem isso apenas com Maomé, mas com todas as religiões”.
Aliás, personagens não-religiosos também já foram alvo do humor do jornal francês. Em uma de suas edições, uma charge retratava o nascimento da filha de Carla Bruni com o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy. Nela, a ex-primeira-dama dá à luz a uma diarreia e o médico fala “é a cara do pai”.
“Tem gente que ri disso. Isso não é humor. Vai contra a Carla Bruni, o Sarkozy, o filho e o leitor. Isso não é humor. É melancolia”, critica. Na ocasião, Caruso também comentou sobre a repercussão – negativa - da charge publicada pelo seu irmão, Chico Caruso, no jornal O Globo .
Crédito:Paulo Caruso/ divulgação Charge feita em 2011 para a Revista Época e que não foi publicada por receio de retaliações Publicada no dia 8 de maço, Dia Internacional da Mulher, a imagem causou polêmica entre os internautas. Na ilustração, a presidente Dilma Rousseff (PT) aparece prestes a ser executada por um integrante do grupo radical Estado Islâmico (EI). “Eu também recebi muitos comentários. É um risco que se corre”.
De acordo com Caruso, sempre existiu, em qualquer mídia, o casamento entre palavra e imagem. “A palavra está sofrendo com essa queda da sustentação da mídia, e a imagem passou a ser secundária - a não ser a foto, que ajuda no assunto abordado. Mas os editores estão fechando espaço para os artistas e não abrem a discussão”, concluiu.
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Crédito:Jéssica Oliveira “Não é qualquer colocação. O meu humor é reflexivo. Por meio dele, o objetivo é fazer as pessoas pensarem e se sentirem informadas. Por mais crítico que ele possa ser, não é só ‘cutucar’. É fazer pensar e mudar para melhor".
Como exemplo, citou o trabalho feito pelo jornal francês Charlie Hebdo , alvo de um atentado terrorista em janeiro deste ano. Caruso lembrou de uma charge feita por ele em 2011 em que um muçulmano perseguia um cavaleiro com a edição do Charlie em sua mão e ambos seguiam em direção ao penhasco.
Originalmente criada para a revista Época, o cartunista afirmou que na ocasião a charge não foi publicada por receio de retaliações. “Esse gênero de humor tem coisas que eram chocantes para mim. Eles não fazem isso apenas com Maomé, mas com todas as religiões”.
Aliás, personagens não-religiosos também já foram alvo do humor do jornal francês. Em uma de suas edições, uma charge retratava o nascimento da filha de Carla Bruni com o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy. Nela, a ex-primeira-dama dá à luz a uma diarreia e o médico fala “é a cara do pai”.
“Tem gente que ri disso. Isso não é humor. Vai contra a Carla Bruni, o Sarkozy, o filho e o leitor. Isso não é humor. É melancolia”, critica. Na ocasião, Caruso também comentou sobre a repercussão – negativa - da charge publicada pelo seu irmão, Chico Caruso, no jornal O Globo .
Crédito:Paulo Caruso/ divulgação Charge feita em 2011 para a Revista Época e que não foi publicada por receio de retaliações Publicada no dia 8 de maço, Dia Internacional da Mulher, a imagem causou polêmica entre os internautas. Na ilustração, a presidente Dilma Rousseff (PT) aparece prestes a ser executada por um integrante do grupo radical Estado Islâmico (EI). “Eu também recebi muitos comentários. É um risco que se corre”.
De acordo com Caruso, sempre existiu, em qualquer mídia, o casamento entre palavra e imagem. “A palavra está sofrendo com essa queda da sustentação da mídia, e a imagem passou a ser secundária - a não ser a foto, que ajuda no assunto abordado. Mas os editores estão fechando espaço para os artistas e não abrem a discussão”, concluiu.
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