“O grau de alfabetização midiática tem uma influência muito grande na proliferação de fake news”, afirma Ricardo Gandour

Ricardo Gandour, diretor executivo de Jornalismo na CBN, vai participar do painel "Sociedade da informação e os desafios da desinformaç

Atualizado em 02/07/2018 às 14:07, por Gisele Sotto e  em colaboração.

Com o tema "Somos rádio e televisão: informação e entretenimento gratuitos com credibilidade. Somos Brasil!", o Congresso Brasileiro de Radiodifusão chega a sua 28ª edição. Promovido pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, o evento acontece nos dias 21 e 22 de agosto, em Brasília, e está com inscrições abertas pelo site
Ricardo Gandour, diretor executivo de Jornalismo na CBN, vai participar do painel "Sociedade da informação e os desafios da desinformação", que contará também com as presenças de Marcelo Rech, vice-presidente Institucional e Editorial do Grupo RBS, Dominique Wolton, sociólogo francês, especialista em Ciências da Comunicação e escritor, e de Luiz Fux, ministro do STF e presidente do TSE.
Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Gandour antecipa um pouco deste debate sobre as fake news.
Crédito:Bernardo Coutinho
De que forma os conceitos de 'fragmentação digital' e 'alfabetização midiática', destacados em seu livro , estão ligados ao combate à fake news? Os rumores, boatos e notícias inverídicas – que sempre existiram, mas têm agora sua versão mais atualizada e turbinada, apelidada de “fake news”— encontraram nesse novo ambiente um campo mais fértil para proliferar. O ambiente digital está fragmentado – cada grupo da sociedade olha sua própria agenda e cultiva suas próprias crenças. Esse é um dos principais aspectos da fragmentação. Nesse ambiente, a “news literacy”, ou grau de alfabetização midiática, tem uma influência muito grande naquela proliferação. Uma sociedade que aceita (e compartilha) tudo o que lê, vê e quase automaticamente crê, muito frequentemente com baixo senso crítico e de avaliação, colabora para a viralização das fake news. Segundo o , o Brasil é o país que mais se preocupa com as fake news. De que maneira isso afeta a credibilidade dos veículos e que iniciativas, dentro e fora da redação, acabam se tornando essenciais - como "aliadas" para a manutenção da credibilidade? Achei impressionante esse dado, o Brasil aparece com 85% dos entrevistados se declarando extremamente preocupados com as fake news – em segundo vem Portugal, com 71%. E o relatório aponta essa preocupação fortemente relacionada com as eleições que vem por aí. Penso que isso será uma oportunidade para o jornalismo profissional. Sinto que as pessoas começam a se importar verdadeiramente com a origem das informações, com a fonte da notícia. A credibilidade do método jornalístico irá prevalecer. Na produção de conteúdo, como aliar agilidade ao processo de avaliação/checagem de notícias? Esse é um permanente desafio. Ainda vale a máxima de que é melhor perder um furo do que a credibilidade, mas as redes sociais desafiaram esse conceito. Em episódios recentes as redações foram arrastadas pela viralização das redes sociais – um exemplo foi a Operação Carne Fraca. Mas também foram episódios pedagógicos, que deixaram um grande aprendizado. Vejo uma grande evolução também nessa área, em que o jornalismo saiu fortalecido. Quais são os riscos para a liberdade de imprensa no combate às fake news? O maior risco é o de, em nome de evitar a proliferação de notícias inverídicas, cairmos na armadilha de “inventar” normas e leis que possam significar censura. Em suma, sabemos que é melhor ouvir bobagens do que ser proibido de ouvir qualquer coisa. É complicado, mas a liberdade de expressão deve prevalecer sempre.
Para conferir a programação completa do 28º Congresso Brasileiro de Radiodifusão é só acessar o .
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