O fascínio da realeza para a mídia
O fascínio da realeza para a mídia
Atualizado em 16/05/2011 às 10:05, por
Nelson Varón Cadena.
As revistas semanais voltaram a sua atenção, nas últimas semanas, para o casamento do príncipe William com Kate Middleton, doravante Duquesa de Cambridge, dentre outros títulos conferidos pela Rainha. O deslumbramento da mídia em torno da realeza me remete à fixação da mídia impressa, especificamente as revistas ilustradas, com a realeza europeia no final do século XIX e inicíos do século XX. Naquele tempo, as revistas semanais e mensais deslumbravam-se com os fatos corriqueiros das famílias reais da Inglaterra, Alemãnha, Itália, Holanda, Áustria, Rússia, Espanha... Ou seja, a familia real não era assunto midiático apenas nos grandes consórcios, mas o tempo todo: o mundano, se cabe a expressão, da realeza retratado no seu dia-a-dia para os leitores.
O avanço da zincografia, facilitando as técnicas de impressão e em especial de reprodução da imagem, foi um dos fatores que impulsionou as revistas ilustradas. O público queria ver fotografias de paisagens (conhecer o mundo sem viajar), novidades (algumas das invenções tecnológicas) e personalidades (reis, rainhas e príncipes e mais tarde estrelas do cinema e do show bizz). Muitas dessas famílias reais tinham papel ativo no Governo, eram autoridades de fato e daí, provavelmente, essa fixação da mídia pela nobreza. As revistas destacavam na capa e em páginas internas, com frequência, atos protocolares dos integrantes das famílias reais e em especial banquetes, visitas, aniversários, embarques e desembarques em návios e até fotos da intimidade dos palácios.
Na mídia brasileira
A qualidade das fotos publicadas por L'Ilustration, The Ilustration, "Il Sécolo XX" "La Lettura" Ilustração Portuguesa, Revista Ilustrada, La Esfera, La Vida Galante, Le Petit Journal, dentre outras publicações, sugere que as casas reais tinham fotógrafos exclusivos a seu serviço, os melhores profissionais e mais bem equipados tecnologicamente, que forneciam as fotografias para a mídia. Na imprensa brasileira o fenômeno do deslumbramento em torno da família real não se deu na mesma proporção. As revistas ilustradas do tempo da monarquia, ou seja, até 1889, eram editadas com recursos de tipografia e por isso priorizavam a ilustração a bico de pena, ou crayon. O imperador Dom Pedro II era assunto na mídia na pena dos chargistas, ora retratado como um fantoche, ora como um protagonista político. Quase sempre em situações que depreciavam a sua aurea real.
E a família real inglesa na mídia Brasileira? Em 12 de maio de 1937 a Folha da Manhã destacou na sua primeira página a posse de Jorge VI e sua esposa a Rainha Elizabeth como Reis da Inglaterra, pelas circunstâncias da abdicação do trono de Eduardo VIII ocorrida em dezembro do ano anterior. A manchete " "Com toda a Pompa da tradicional família britânica" ilustrada pela foto do casal em quatro colunas. O jornal dedicou à família real também a capa do seu segundo caderno com foto a oito colunas, tomado toda a página, da coroa da rainha com o célebre diamante Koh-i-noor e as demais insígnias reais. A mesma folha tinha destacado anteriormente, também a oito colunas, a morte do Rei Jorge V da Inglaterra que abriu a linha de sucessão, na sua edição de 21 de janeiro de 1936 com o título: "Sua Majestade o Rei Jorge V de Inglaterra faleceu em Sandringham".
A propósito a abdicação do trono mereceu manchete em nove colunas do OESP, ilustrada com três clichês, um deles da visita do Príncipe de Gales a São Paulo: "O Rei Eduardo VIII abdicou do trono da Grã Bretanha em favor do Duque de York, seu irmão, futuro soberano da Inglaterra". O Diário Popular tratou do assunto com o mesmo destaque "A abdicação do Rei Eduardo VIII resolveu definitivamente a crise britânica", matéria de capa ilustrada com fotos do futuro Rei e da esposa do Rei demissionário, pivô da crise. Já "A Gazeta" de Vitória (ES) optou por um editorial de capa assinado por Christiano Braga com o título "A abdicação do Rei Eduardo" de teor critico, considerando o ato um símbolo da "estagnação política da Inglaterra", que na sua opinião se deixara influenciar por outras nações.
O avanço da zincografia, facilitando as técnicas de impressão e em especial de reprodução da imagem, foi um dos fatores que impulsionou as revistas ilustradas. O público queria ver fotografias de paisagens (conhecer o mundo sem viajar), novidades (algumas das invenções tecnológicas) e personalidades (reis, rainhas e príncipes e mais tarde estrelas do cinema e do show bizz). Muitas dessas famílias reais tinham papel ativo no Governo, eram autoridades de fato e daí, provavelmente, essa fixação da mídia pela nobreza. As revistas destacavam na capa e em páginas internas, com frequência, atos protocolares dos integrantes das famílias reais e em especial banquetes, visitas, aniversários, embarques e desembarques em návios e até fotos da intimidade dos palácios.
Na mídia brasileira
A qualidade das fotos publicadas por L'Ilustration, The Ilustration, "Il Sécolo XX" "La Lettura" Ilustração Portuguesa, Revista Ilustrada, La Esfera, La Vida Galante, Le Petit Journal, dentre outras publicações, sugere que as casas reais tinham fotógrafos exclusivos a seu serviço, os melhores profissionais e mais bem equipados tecnologicamente, que forneciam as fotografias para a mídia. Na imprensa brasileira o fenômeno do deslumbramento em torno da família real não se deu na mesma proporção. As revistas ilustradas do tempo da monarquia, ou seja, até 1889, eram editadas com recursos de tipografia e por isso priorizavam a ilustração a bico de pena, ou crayon. O imperador Dom Pedro II era assunto na mídia na pena dos chargistas, ora retratado como um fantoche, ora como um protagonista político. Quase sempre em situações que depreciavam a sua aurea real.
E a família real inglesa na mídia Brasileira? Em 12 de maio de 1937 a Folha da Manhã destacou na sua primeira página a posse de Jorge VI e sua esposa a Rainha Elizabeth como Reis da Inglaterra, pelas circunstâncias da abdicação do trono de Eduardo VIII ocorrida em dezembro do ano anterior. A manchete " "Com toda a Pompa da tradicional família britânica" ilustrada pela foto do casal em quatro colunas. O jornal dedicou à família real também a capa do seu segundo caderno com foto a oito colunas, tomado toda a página, da coroa da rainha com o célebre diamante Koh-i-noor e as demais insígnias reais. A mesma folha tinha destacado anteriormente, também a oito colunas, a morte do Rei Jorge V da Inglaterra que abriu a linha de sucessão, na sua edição de 21 de janeiro de 1936 com o título: "Sua Majestade o Rei Jorge V de Inglaterra faleceu em Sandringham".
A propósito a abdicação do trono mereceu manchete em nove colunas do OESP, ilustrada com três clichês, um deles da visita do Príncipe de Gales a São Paulo: "O Rei Eduardo VIII abdicou do trono da Grã Bretanha em favor do Duque de York, seu irmão, futuro soberano da Inglaterra". O Diário Popular tratou do assunto com o mesmo destaque "A abdicação do Rei Eduardo VIII resolveu definitivamente a crise britânica", matéria de capa ilustrada com fotos do futuro Rei e da esposa do Rei demissionário, pivô da crise. Já "A Gazeta" de Vitória (ES) optou por um editorial de capa assinado por Christiano Braga com o título "A abdicação do Rei Eduardo" de teor critico, considerando o ato um símbolo da "estagnação política da Inglaterra", que na sua opinião se deixara influenciar por outras nações.






